1º mutirão de grafiteiros em Caldas Novas-GO foi quente!

Foto de capa: Dmic Sulmemo (Foto: Mari Magalhães)

Caldas Novas é famosa por ter o maior manancial hidrotermal do mundo e recebe, em média, mais de 3 milhões de turista por ano. Agora foi marcada pelas cores quentes do Hip Hop. Se o município é referência em turismo, quem estiver na cidade terá outro espaço para visitar: a Avenida “KGM”, que liga setor Nova Vila ao centro de Caldas.

Por lá passaram mais de 15 artistas representando a cultura de rua, entre grafiteiros, B-boys, skatistas, rappers e músicos, a fim de realizarem o 1º mutirão de graffiti do município. A inciativa aconteceu no dia 6 de maio de 2018, num domingão ensolarado. Tão visceral e resistente como a cultura underground foi ver os grafiteiros colorindo os quase 60 metros de muros da avenida a 30º C . Representantes de São Paulo, Goiânia, Brasília e Caldas Novas levaram suas experiências artísticas para um encontro histórico na cidade.

Entre eles estava José Vitor Xavier (22) que pinta muros há 8 anos em Goiânia. O jovem assina seus grafites como “Lotos” e faz parte da ATR Crew. Seu estilo neste elemento artístico visual é fazer letras com referências em trações dos anos 80/90 com muitas cores quentes e vivas. Onde passa, o grafiteiro marca seu talento e chama atenção com sua tag.

“LOTOS” (Foto: Mari Magalhães)

Lotos afirma que mutirões de grafite vão além da manifestação artística, são fundamentais para a cultura hip hop. “O grafite na quebrada serve pra levar alegria onde as pessoas lidam com situações difíceis diariamente. E o evento é a valorização desses artistas da cidade como parte fundamental de um projeto, junto com os artistas de fora que são convidados. É muito importante este intercâmbio cultural. Só tenho a agradecer ao evento”, afirmou.

O rapper Nego Dee, morador de Caldas Novas há 18 anos, está no corre do rap, fazendo eventos e divulgando a cultura hip hop de Caldas Novas há mais de 7 anos. Como um dos organizadores deste encontro, ele ressalta a dificuldade de fomentar o movimento hip hop no município. “Meu primeiro disco demorou três anos para conseguir lançar. É um disco chamado ‘Escolhas’ e tem a participação de vários artistas de renome nacional, como CTS, Bella Dona. Mas é isso, a gente vai trabalhando até conseguir chegar em nossos objetivos”, expressa.

NEGO DEE (Foto: Mari Magalhães)

O evento não contou com patrocínio de nenhuma empresa ou instituição. Cada artista fortaleceu com seus próprios produtos e equipamentos. Nego Dee encara esses desafios como crescimento. “Caldas tem altos moleque correria mesmo e a gente vai trabalhando dessa forma, os irmãos se fortalecendo… A união do hip hop que faz a força!”, diz.

Outro mano que deixou sua ligeira contribuição no 1º encontro de grafiteiros de Caldas Novas foi o rapper Vanderson Coiote, do grupo K’Ment de Goiânia. Assinando “COE” ao melhor estilo vandal, o rapper fez o tradicional bomb sujo pra não fugir das origens.  “Estou aí desde 1998 com as latinhas de spray na mão, participando direta e indiretamente com a galera mais nova e mais velha do grafite. Ao menos uns 5 bomb por ano eu faço”, afirma. Coiote parabeniza pela inciativa do primeiro encontro de graffiti em Caldas Novas e sugere que os artistas da cidade se unam com a galera de Itumbiara, Anápolis e Aparecida de Goiânia, onde a cena tem se fortalecido.

De SP pra Caldas Novas

Um dos grafites mais admirados deste primeiro mutirão em Caldas Novas foi do tatuador e grafiteiro Gilvan Junior, o “Shark”. O artista segue a linha do realismo e neste encontro fez um rosto feminino cheio de pureza. “Eu acho um desenho bonito, eu gosto de pintar rostos e nesse desenho inédito utilizei técnicas de spray pra dar movimento aos pássaros”, explica.

“SHARK” (Foto: Mari Magalhães)

Para Shark, o evento superou as expectativas. “Aqui em Caldas Novas, por ser uma cidade pequena, não tem este tipo de movimento e quando tem é tudo separado. Então juntar a galera foi muito dahora”, elogiou.

Mas quem mais se surpreendeu com o evento foi o grafiteiro paulista Peter Silva, lá da zona leste de São Paulo. Morador de Caldas Novas há 5 anos, Peter viu no município um potencial para a arte urbana. “O mutirão começou com uma ideia minha, naquela divulgação boca a boca. Estou muito feliz mesmo de ver que o evento fluiu de uma forma que eu não esperava. Chegamos ao evento com a rua cheia. Pra o primeiro, estou muito satisfeito”, comemora.

Peter pinta há 18 anos, vem de uma família de pintores tradicionais e neste encontro deixou três desenhos estilosos criados no improviso. Embora afirme não ter inspirações, o exagero nos detalhes é sua marca. Seus personagens tem sempre bocão, olhão, são orelhudos, com trações forte e cores, muitas cores!

PETER (Foto: Mari Magalhães)

Além dos grafiteiros, o encontro teve campeonato Best Trick para a melhor manobra de skate, campeonato de breakdance entre b.boys e b.girls da cidade, batalha de rimas e muita sonzeira. O rapper Dmic Sulmemo, que também grafitou no evento, apresentou um pocket show de suas músicas. O rolê foi tão especial para os artistas da cidade que já planejam um novo mutirão para acontecer ainda este ano em Caldas Novas. Quem vamos?

CONFIRA OUTRAS IMAGENS DO 1º ENCONTRO DE GRAFITEIROS DE CALDAS NOVAS-GO:

(Imagens: Mari Magalhães)

COIOTE (Foto: Mari Magalhães)

PETERSON SILVA (Foto: Mari Magalhães)

DMIC SULMEMO

Mariana Magalhaes
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Jornalista por formação, especialista em Mídia, Informação e Cultura.

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