A história do fã que se tornou ‘melhor amigo goiano’ do rapper Marechal

Fã que é fã acompanha vida e obra do ídolo, faz o possível pra ter aquele momento do lado, uma foto de recordação, a coleção de shows que vê… Dependendo da relação de afeto, o artista torna-se um personagem transformador na história do próprio fã.

Agora imagina virar amigo do seu ídolo? Amigo mesmo, daqueles de trocar ideia no whatsapp e tudo mais… Daquele em que você é convidado vip do artista nos shows. Aconteceu tipo assim com o goiano Victor Cesar, de 21 anos, que desde os 15 é fãnzaço de Rodrigo Vieira, o rapper Marechal. Uma admiração e amizade que começou nos bastidores do rap.

Victor é assistente administrativo hoje e foi um dos fundadores do Goiânia Mil Grau, a página de memes goianos mais famosa das redes sociais. Mas aos 15 anos era apenas um garoto “de menor”, piolho de rap, curtindo a vibe numa boate que conseguiu entrar porque conhecia o dono. Foi no ano de 2012, quando o rapper Marechal se apresentou na Royal Club de Goiânia, que para Victor foi um dos melhores shows do artista que ele assisitiu.

“No dia, cheguei na passagem de som, tive uma boa troca de ideia com o Marechal. Ele me tratou super bem, fez freestyle pra mim durante a passagem de som e eu havia dito que o Sandrão RZO iria lá no dia, juntamente com o Rodrigo Lagoa (DJ). O Marechal me disse então pra ficar próximo ao palco e avisá-lo no momento da chegada deles”, conta Victor sobre os primeiros contatos com o ídolo e futuro amigo.

Victor cresceu ouvindo Rap Nacional, Racionais, Dexter, Ndee Naldinho e sempre buscou por músicas com conteúdos reflexivos, o famoso “rap de mensagem”. Encontrou no Marechal essa identificação musical.

“As músicas dele todas tem um sentimento, até quem ouve pela primeira vez percebe que ele canta com a alma e o coração, ainda mais ao vivo. Sempre que escuto a música Guerra Neguin me sinto como se estivesse saindo um peso de mim”, conta.

MC Marechal é um rapper de Niterói-RJ, também compositor, produtor, apresentador e ativista brasileiro. Iniciou sua carreira como MC no ano de 1998, tendo participado do extinto grupo Quinto Andar e atualmente segue carreira solo. O rapper sustenta uma ideologia resumida em respeito, lealdade e disciplina, sem discípulos e sem hierarquia, a união de todos esses “caminhos” em defesa de um único objetivo, tornando-se um dos poucos que acredita que o rap ainda é música de mensagem. O que levou muitos a seguirem seu trabalho tanto pela sua ideologia como pelas suas músicas.

“Desde a primeira música que escutei dele, já senti a música bater, conheci ele e vi que ele cantava com o coração. Procurei ouvir as músicas antigas dele e me identifiquei com varias letras. Quando conheci ele e vi o jeito, o estilo dele, isso fez eu me tornar mais fã, por tratar muito bem seus fãs, por ser seu próprio DJ e por ficar no meio do público após o show… Essas atitudes me fez ainda mais fã do trabalho dele”, comenta Victor sobre sua admiração pelo rapper.

Para demonstrar na pele toda sua admiração pelo artista, Victor até tatuou #VVAR no braço, o esperado CD de Marechal, que significa “Vamos Voltar À Realidade”. @tattoosbybrown |

Marechal não esqueceu de Victor, mas é claro que Victor teve que dar um jeitinho no início para que essa relação fraternal se perpetuasse.

No ano seguinte, em abril de 2013, Marechal se apresentou em Brasília, junto com Oriente e uma galera de artistas de Brasília. Na época, Victor lembra que o rapper Sant até então não tinha nenhum som lançado oficialmente e Marechal estava começando sua carreira solo no cenário do rap.

“Falei com o Sant como faria pra eles poderem me ajudar a ir ao show, pois era um evento +18, e eu só tinha 16. Dai o Sant me passou o contato do Marechal e eu chamei ele no whats. E ele lembrou de mim!!! Ele disse: ‘Pode vir pra Brasília, que você vai comigo pro show, chegar lá me liga que te falo onde estamos pra irmos’. Fui pra Brasília juntamente com meu padrasto, fomos muito bem recebido pelo Marechal, Sant e Oriente no hotel, e depois fomos pro show. Foi um momento único pra mim, ir pra um show junto com meu ídolo, poder assistir ali de cima do palco o meu maior ídolo”, relembra o goiano Victor, emocionado com a situação.

Depois desse dia memorável, uma especial amizade nasceu da admiração entre um fã  goiano e seu ídolo. “Minha relação com ele até hoje é muito boa. Nos falamos menos devido ao tempo dele, de estúdios, agendas, programações… Mas sempre que ele está aqui em Goiânia, faço questão de tromba-lo. Dias desse me passou dicas de como aprender inglês através das músicas mesmo e deixou um salve registrado (vídeo abaixo) e disse que dia 11 estaríamos juntos!!”, contou Victor, empolgado com a volta do ídolo e amigo à capital.

E você, de que ídolo você gostaria de se tornar um grande amigo?

Marechal em Goiânia

Neste sábado (11 de agosto), o rapper Marechal se apresenta no Cubo Lounge, a partir das 21h. A entrada é R$ 30 no valor promocional. Clique aqui e saiba mais.

O rapper vai apresentar canções famosas de sua carreira e quem sabe algumas inéditas. Se apresentam também neste evento os grupos goianos de rap Sã-Consciência e Wu-Kazulo. Quem embala a pista com discotecagem hip hop de responsa é o DJ Daniel de Mello. O evento é idealizado pela Love SA Colab.

A última vez que Marechal esteve em Goiânia foi em 2012, no feriado de 24 de maio, ano em que Victor e Marechal se conheceram também. Neste ano, o rapper se apresentou no Sarau Bambaataa/GO.

Antes disso, Marechal tinha vindo a Goiânia para participar de uma edição da “Rinha dos MC’s” e em outra oportunidade num evento chamado “Festival Black”, que aconteceu no Serra Dourada, cujos anos não me lembro. (Quem souber manda mensagem pra correção!)

Tem quase 10 anos que Marechal segue carreira solo e tá pra lançar algo oficialmente. Mas deu pra perceber que com ele o processo é lento. Atualmente, o rapper tem um single intitulado “Sangue bom“, distribuído junto com os produtos “Um só caminho…” (tem também o single de “Espírito Independente”, que é mais antigo e tem boas chances de já ter sido alterado) que pode estar no seu disco #VVAR. Teve também a canção “Primeiro de Abril”, música que ele mesmo ironiza a espera e a própria produção logo nos primeiros versos. O rapper também fez um feat. cabuloso com o Costa Gold na música “Quem tava lá?” e deixou os fãs ainda mais ansiosos.

Mas a falta de um disco próprio não é problema pra sua mensagem se espalhar. Fãs como o goiano Victor acompanham tudo o que Marechal faz em shows e apresentações, parcerias com outros rappers e toda sua caminhada na cena do rap nacional, desde o “Quinto andar”, e lança na internet. Marechal também deixou um legado importante pra cultura hip hop nacional por ter criado a “Batalha do Conhecimento”.

Idealizada e divulgada pelo Marechal, a Batalha do Conhecimento visa valorizar o conteúdo das rimas em batalhas de rap, ao invés de troca de farpas e ataques ofensivos nas chamadas “batalhas de sangue”. A Batalha do Conhecimento propõe enfatizar rimas sobre novos conceitos, educação, cultura, política e, algumas vezes, temas relacionados a atualidade. Algumas vezes, os temas para a batalha são escolhidas na hora pelo público presente. Ao invés de só rimar, o rapper precisa ensinar, divulgar algum conteúdo, contar o que sabe sobre o tema.

Por essas e outras que Marechal é um dos mais respeitados rappers do Brasil e seu CD um dos mais esperados do ano.

BATALHA DO TPP – Batalha de conhecimento em 2016, no Terminal Padre Pelágio de Goiânia. (Foto: Mari Magalhães)

Em Goiânia, a Batalha de Conhecimento ganhou destaque em 2016 entre os Mcs de freestyle da capital na Batalha do TPP. Acontecia toda quinta-feira no Terminal Padre Pelágio, inciativa do Pageia Cultural, coletivo que fomenta a cultura hip hop goiana. O evento dentro do temrinal de ônibus da região noroeste incentivou muitos jovens a ler mais e buscar conhecimentos.

 

 

 

Mariana Magalhaes
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Jornalista por formação, especialista em Mídia, Informação e Cultura.

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