ENTREVISTA: Elza Gabriela, nome forte da educação e da cultura anapolina #Anápolis

Elza Gabriela representa um batalhão em uma mulher só. Sua força de trabalho, carisma e capacidade de diálogo acabaram a consolidando como um dos nomes fortes da educação e da cultura anapolina.

Graduada em Artes Cênicas e Artes Visuais pela UnB, com Mestrado na mesma Universidade, a professora de Artes Visuais no IFG, construiu o projeto Mapeamento Artístico e Cultural do município de Anápolis-GO desenvolvido desde 2010 com premiações em feiras nacionais e internacionais, e culminou no desenvolvimento de um site e envolvimento de alunos bolsistas e voluntários. Coordenou o Bolsa-Formação/Pronatec no IFG Anápolis entre 2013 e 2014, possibilitando a formação de milhares de alunos da comunidade interna e externa. Fundou o Núcleo de Estudos e Pesquisas da Cultura, Linguagens e suas Tecnologias (NECULT) e atuou como Coordenadora Geral do Festival de Artes de Goiás promovido pelo IFG, na Cidade de Goiás em 2014.

Foi membro do Conselho Municipal de Cultura em duas gestões (2013-2014 e 2015-2016), como representante das áreas de Artes Cênicas e de Educação, Ciência e Tecnologia, compondo importantes comissões como a proposta de revisão das leis de criação do CMC e do Fundo Municipal de Cultura, atuou como técnica na avaliação de projetos do Fundo Municipal de Cultura da área de Artes Cênicas e Música em 2015, foi curadora da Mostra e Festival de Teatro de Anápolis em 2013, 2014 e 2015 e colaboradora nos Fóruns Setoriais do Teatro e do Audiovisual em 2015 e 2016.

Desenvolveu ainda uma pesquisa diagnóstica sobre os profissionais do Arranjo Produtivo Local (APL) em Audiovisual em Anápolis e região entre 2015 e 2016.  Ela fecha um ciclo exitoso à frente da Gerência de Pesquisa, Pós Graduação e Extensão no Instituto Federal Câmpus Anápolis (onde é gestora desde 2014) em meio a movimentações, projetos sendo realizados e muita agitação.

Seu último projeto de extensão o CirculAnápolis promoveu a circulação da produção cultural anapolina em espaços do câmpus oferecendo à população em geral espetáculos culturais gratuitos semanalmente com abordagens que contemplam as cinco linguagens: audiovisual, artes visuais, dança, música e teatro.

Na entrevista ela faz um balanço de sua atuação e da importância da cultura para a sociedade.

 

GOIANIDADES: Professora, a senhora está fechando um ciclo à frente da Gerencia de Pesquisa, Extensão e Pós-graduação do IFG Anápolis, quais avanços foram possíveis?

Elza – Em quase quase quatro anos de gestão trabalhamos nas diversas frentes da GEPEX, na perspectiva de propiciar um serviço adequado, o atendimento às demandas institucionais, aos servidores e alunos com propostas para a Pesquisa, Extensão, Pós-Graduação, eventos, além do acompanhamento da Assistência Estudantil e das relações de estágio no campus.

GOIANIDADES: Como a senhora percebe a atual conjuntura das políticas culturais no país?

Elza – Estamos em um período de estagnação, não só na cultura, mas também na Educação e na Ciência, nossas áreas de atuação. Não vemos novas propostas, grandes discussões construídas desde 2010, com o Plano Nacional de Cultura, foram esquecidas. A redução de orçamento desde 2015 tem se refletindo em diversos setores e já estamos vendo o quanto isso nos custará.

GOIANIDADES: E Anápolis, como a cidade se encontra nesse contexto?

Elza – Isso acaba se refletindo também no município. Estamos em outubro e a classe artística ainda aguarda a publicação do edital do Fundo Municipal de Cultura, cuja minuta foi construída pelo Conselho Municipal de Cultura, discutida com a sociedade civil e entregue à Secretaria de Cultura e ao prefeito ainda nos primeiros meses desse ano. Até agora não temos nenhuma confirmação de que o edital será publicado, se os recursos serão liberados. O que já estamos presenciando é o cancelamento de eventos, como a Mostra de Teatro, já consagrada no calendário cultural da cidade, realizada há mais de 20 anos no mês de julho e que esse ano não será realizada pela justificativa de falta de recursos.

 

GOIANIDADES: Sua identidade profissional é muito ligada ao IFG, mas sua atuação em diversos cenários acabou a tornando uma referência local e regional, como a senhora se descreve? Uma professora, produtora, ativista cultural, agitadora, pesquisadora?

Elza – Meu envolvimento com a cidade se deu por meio da pesquisa, uma das vertentes de atuação profissional no IFG, à qual me dedico desde 2010, quando me tornei também moradora da cidade. A investigação para compreender a cultura de Anápolis, sua história e manifestações, acabou me aproximando de importantes nomes da nossa arte, de instituições que são referência para a cultura local, de projetos importantes para o fortalecimento e a capacitação dos profissionais. Fiz parte do Conselho Municipal de Cultura em dois mandatos, coloquei a minha pesquisa e o IFG à disposição para colaborar nas melhorias para o setor, promovi cursos de Extensão e de Formação Inicial e Continuada (FIC) visando atender às demandas da área e promover a vivência cultural da nossa comunidade. Sigo caminhando com esse desejo, como educadora, com a preocupação de oferecer à comunidade tudo que temos o potencial para construir juntos.

 

 

GOIANIDADES: Os órgãos públicos gestores de cultura sempre reclamam da falta de recursos e atenção, nesse sentido, qual a contribuição da Cultura para sociedade? Como a cultura pode favorecer a construção de uma sociedade melhor?

Elza – Esse é nosso dilema. Sempre ouvimos de gestores que a Cultura é tão importante, é fundamental na formação do sujeito, na construção da sua identidade, mas isso não se reflete na distribuição que fazem de recursos nas esferas federal, estadual e municipal. A Secretaria  de Cultura se mantém com um orçamento de 1% da receita do município. Como construir projetos, promover a circulação de produtos culturais nossos, capacitar profissionais, oferecer ações educativas que possam realmente contribuir na formação de cidadãos, sem ter estrutura? Precisamos repensar e ampliar as políticas de incentivo cultural em Anápolis.

 

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