“Precisamos cuidar da saúde mental de nossas crianças e adolescentes” entrevista com Muriel Romeiro

Muriel Romeiro é psicóloga, especialista pela UEG e mestranda pela UFG, tem se destacado como profissional engajada em questões políticas e sociais. Em entrevista ao GOIANIDADES a ativista social fala sobre política pública, saúde e adolescência.

 

GOIANIDADES- Sua trajetória está muito ligada a construção de políticas públicas, tanto no SUAS como no SUS, como você analisa o desenvolvimento dessas políticas hoje?

Muriel Romeiro  – Atualmente vivemos uma escassez de investimentos na área publica. Assim, tanto o SUS quanto o SUAS foram atingidos pela crise politica e econômica. No SUAS a descontinuidade dos serviços especializados e dos benefícios de prestação continuada inviabilizou a efetivação das Politicas Publicas de  Assistência Social. Enquanto isso o cenário cada vez mais crítico da saúde publica  segue a mesma logica.

 

GOIANIDADES- Um de seus projetos, sobre educação sexual teve muita repercussão, atingido toda a rede pública no município de Cocalzinho de Goiás. Qual a relevância e motivação dessa ação?

Muriel Romeiro – As pessoas ainda se assustam quando o tema é sexualidade.  Esse projeto se justifica pelo alto índice de abuso sexual contra o público infanto-juvenil, geralmente sendo o agressor um familiar ou alguém próximo à criança. Nesse sentido a educação sexual contribui tanto para o desenvolvimento cultural quanto para o caráter preventivo nessas etapas da vida, e deve ser tratado de forma natural sem concepção moralista ou linguagem erótica. Um dos objetivos do projeto é contribuir para a quebra do ciclo de violência extra e intra-familiar.

 

GOIANIDADES- Outra ação, o trabalho voluntário junto a Comunidade Kalunga também tinha foco em educação sexual, como esse trabalho foi realizado?

Muriel Romeiro – O projeto também foi desenvolvido nas comunidades de São Domingos, Engenho II e Vão do Moleque na região de Cavalcante. Foi realizada oficina de educação sexual, onde abordo os cuidados com o corpo, desde a higiene pessoal às formas de proteção e o respeito à diversidade. Lembrando que embora o projeto seja na modalidade de oficina(curto prazo) as orientações devem ser feitas durante todo o desenvolvimento da criança, respeitando a curiosidade apresentada pela criança em cada época da vida.

 

GOIANIDADES- Hoje você atua no CAPS INFANTIL de Anápolis e em diversos cursos de especialização nas áreas de Psicologia, Educação e Saúde. Como a prática tem influenciado sua atuação como docente?

Muriel Romeiro – A prática é muito enriquecedora. Essa experiência contribui para minha prática docente em sala, já que a maioria dos cursos que ministro aula são direcionados para a área da educação. Desta forma construo com os alunos a interface entre a teoria e a prática.

 

GOIANIDADES- Suas palestras tem focado na temática “Adolescência, saúde mental e escola”. Essa relação é constante?

Muriel Romeiro – As questões sobre a saúde mental dos adolescentes tem sido muito discutidas em toda rede pública, nos serviços de saúde, na educação, conselhos tutelares e assistência social. Em minha pesquisa de Mestrado sobre a angústia em adolescentes que se automutilam,  tenho percebido que essa imbricação é decorrente dos novos modos de subjetivação típicos da modernidade. Os adolescentes contemporâneos cada vez mais vazios de experiências duráveis, já não conseguem achar um  sentido em viver. Assim como os casos de automutilação, os quadros depressivos tem sido frequentes. Família, escola e sociedade precisam estar atentas e conhecer os recursos disponíveis na rede pública de atendimento. Precisamos cuidar da saúde mental de nossas crianças e adolescentes.

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