Anápolis recebe a peça Anzóis no Aquário de Hugo Zorzetti

 

Sinopse

Reunidos em um apartamento, um diretor de teatro que contabiliza, depois de 30 anos de carreira, apenas irrelevantes e efêmeros sucessos de montagens de peças infantis, e um intelectual que equilibra, a duras penas, uma não menos inexpressiva carreira de crítico teatral que compõe, junto com a atividade de professor de artes, o seu ganha pão.

Dentre as fissuras que complicam uma relação de muitos anos, está uma crítica negativa a um dos espetáculos desse diretor, que se sente vítima da arrogância do crítico. Uma palavra mal colocada desencadeia entre os dois uma guerra de reminiscências e ressentimentos, onde a vaidade é o combustível potencializado que os leva ao paroxismo da maledicência, da crueldade e da vingança.

Anzóis no Aquário

Anzóis no Aquário marcará, por certo, uma nova fase na dramaturgia de Hugo Zorzetti. Do jovem autor de textos herméticos, densos, trágicos, como Dos Gritos os Meus, Acerca do Absolutamente, Dança Esquálida e muitos outros desde fins dos anos 1960 até o maduro dramaturgo dos anos iniciais da década de 1980, quando passa a produzir comédias – gênero em que a revista Veja o considerou o maior comediógrafo vivo do País – Zorzetti nos brinda agora com um texto que parece ser mais uma guinada na rica produção deste homem de teatro. Não se pode afirmar que Anzóis no Aquário seja uma comédia. Mas também não é muito fácil negá-lo. Este, aliás, foi o grande desafio que tivemos de enfrentar. Optamos por destacar um aspecto bastante peculiar da

comediografia zorzettiana, também presente em Anzóis no Aquário: o tom cáustico que invariavelmente empresta a suas comédias um diálogo sutil com o trágico, por meio das situações nada risíveis de que o autor consegue produzir seu humor. Mas, a rigor, Anzóis no Aquário deixa de ser uma comédia. Tal como observara Diderot ao analisar outro texto dramático, noto que “não há palavras para o riso”; tampouco que “o terror, a comiseração e outras grandes paixões são excitadas”. E, como Diderot, concluo que, por apresentar seriamente ações comuns da vida, sem evitar o ridículo que provoca o riso, nem o perigo que nos agita, esta peça se inclui no que o pensador francês chamou, ainda que indevidamente, de “gênero sério”.

Outra preocupação da direção foi possibilitar na encenação a multiplicidade de níveis de leitura possíveis em todo bom texto literário – prosa, poesia ou teatro. Assim, mesmo em se tratando do terceiro título de uma trilogia que tematiza o teatro, procuramos, na montagem, divertir também aqueles para quem esse tema não está no centro de suas preocupações. Assim, se as pessoas de teatro poderão ver escancaradas situações nem sempre publicamente apresentáveis e ser, por isso, levadas tanto à reflexão quanto ao riso, haverá quem se divirta com os embates entre duas pessoas de convivência nada fácil, bem como aqueles que chegarão a ver apenas o homem diante de suas limitações, suas fraquezas, seus dramas. O aquário está exposto. Os anzóis, na boca… da cena. Divirtam-se.

Nilton Rodrigues

Os Anzóis, o Aquário e Albert Camus. Francês nascido na Argélia, Camus deixou suas digitais na história de forma extraordinária. Num dado momento, escreveu: “Você não é totalmente culpado, porque não começou a História; nem totalmente inocente, pois a continua”. Os anzóis, quando no aquário, trazem de volta, para mim, o conflito humano milenar. O aquário é o Sistema de Vida adotado pela Civilização desumana que somos nós. Os anzóis garantem uma fisgada de mestre, colocada no texto de Hugo Zorzetti. E a História lembrada por Camus continua, ainda sem data para acabar. Colocando os anzóis dentro do insano aquário da realidade crua e nua das manchetes do dia a dia, Hugo Zorzetti traz os bastidores do teatro para o proscênio…

Odilon Camargo

Particularmente, trabalhar nesta montagem do Teatro Exercício é motivo de honra e o cumprimento de um desejo. Há trinta anos, Hugo Zorzetti me convidou para integrar um dos núcleos de atores da extinta Fundação Artes Cênicas (FACE), presidida por ele. Naquele momento, em razão de outros compromissos, foi com muita tristeza que me vi impossibilitado de aceitar aquela proposta. Agora, depois de 20 anos morando na Europa, recebo outro convite do próprio Hugo para integrar o elenco de Anzóis no Aquário. “Chegou a hora, mestre. Vamos pra frente!” Essa foi a minha resposta.

Depois do processo de montagem a minha conclusão é: Fazer essa peça é um desafio fantástico, para mim como ator e como profissional. A dramaturgia de Hugo Zorzetti, combinada com os profissionais que formam a equipe dessa montagem do Teatro Exercício, é garantia de bom resultado, de crescimento e de muita aprendizagem.

Alex Amaral.

A dramaturgia de Hugo Zorzetti é um perigo. Um banquete de ideias em que todas as ações se apresentam como verdades, mas “A verdade é algo que está sempre mais além: sempre que pensamos tê-la atingido, ela se nos escapa entre os dedos.” Perigoso desafio para o ator, triturar cada frase, remoer e sustentar a essência, a verdade de sua personagem.

Com muito orgulho e satisfação estou enfrentando esse perigo. Interpretar o Igor em Anzóis no Aquário, de Hugo Zorzetti, é um grande presente. E trabalhar com uma equipe tão fantástica é um luxo, um privilégio.

Jonatas Tavares.

Ficha Técnica de Anzóis no Aquário

Texto: Hugo Zorzetti

Com: Alexandre Amaral e

Jonatas Tavares

Direção: Nilton Rodrigues

Assistente de Direção, Produção Executiva, Trilha Sonora e Sonoplastia: Odilon Camargo

Cenografia, Adereços: Pedro Lippi

Iluminação e sonorização: Ilson Araújo

Figurinos, Adereços: Solange Amarilla

SERVIÇO

Espetáculo: Anzóis no Aquário

Grupo de Teatro Exercício

Classificação 14 anos

Dia: 24/25 /11/2017

Horário: 20:00

Ingresso: Inteira R$ 20.00 / Meia R$ 10.00

Local: Teatro Municipal de Anápolis.

APOIO CULTURAL: Secretária Municipal de Cultura de Anápolis.

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