Sobre a Fé inabalável dos Espíritas (o caso Divaldo Franco e a ¨Ideologia de Genêro¨)

Em recente fala no 34º Congresso Estadual Espírita de Goiás de 2018, o médium e orador Divaldo Franco, figura mais do que carimbada no evento, surpreendeu com uma fala de pouco mais de sete minutos. E dessa vez, não houve unanimidade. Ao ser interpelado por um jovem de 18 anos sobre a famigerada “Ideologia de Gênero”, asseverou – em tom “lacrador”- tratar-se de um “(…) momento de alucinação psicológica da sociedade”. Palmas se ouviram. Até concordaria com orador baiano (que em momentos antes fizera uma fala lúcida sobre adoção por casais homoafetivos). Mas não foi o caso. Divaldo se tornou alvo da sua assertiva: alguém que por ignorância temática contribuiu para um delírio coletivo que vem assolando um mundo pretensamente razoável. A saber, aquele que defende a existência de um “Ideologia de Gênero”- uma espécie de engenharia social a ter assolado o mundo acadêmico, midiático e político, destruindo a família de margarina (ops, tradicional) e redefinindo a sexualidade a partir de prismas marxistas, materializados (pasmém!) no governo petista.

Sem entrar na querela se o Juiz Sérgio Moro expressa o ideal de moralidade e justiça da (citada literalmente) “República de Curitiba”, o ponto nevrálgico da polêmica girou em torno da objetividade da pergunta feita pela platéia: “O que dizer sobre a ideologia de gênero”?

Divaldo poderia iniciar de duas formas:

A primeira, dizendo expressamente que ali emitiria sua própria opinião. Não o fez. E isso tem implicações. Recaiu no velho problema totalizante das doutrinas espiritualistas da modernidade: crer serem capazes de explicar todas as coisas, a partir do recurso a um discurso retórico e proto científico (na maioria das vezes, insinuado a partir do que eles entendem por “física quântica” ou “psicologia analítica”) ou a uma panaceia dos evangelhos (nos quais os critérios do que seja literal ou simbólico obedecem apenas a ordem hermenêutica de suas próprias conveniências). Ao Divaldo Franco não ter assumido pra si a pecha, automaticamente converteu a questão (que se mostrou como mera opinião e totalmente parcial) em uma suposta “verdade doutrinária”, com direito a aplausos calorosos ao final, seja por identificação ou bajulação ao médium. Nada de novo no front…

A segunda, fazendo uma separação objetiva entre a suposta hipótese de existência de uma engenharia social travestida de ressignificação da sexualidade (algo difícil de sustentar a partir de fontes e dados, a não ser na mente febril de conservadores criativos) e todo o esforço no campo da pedagogia progressista de tentar gerar – através da cultura e da educação – um espaço de tolerância, respeito, diversidade, pluralidade no tocante às questões comportamentais na esfera da sexualidade. Mas isso demandaria preparo intelectual, cuidado com os termos (ou, simplesmente, bom senso) – coisa que Divaldo não teve.

Conhecendo sua vivência, sabemos que ele – do alto dos seus 93 anos – defende justamente uma concepção de educação (ainda que no tocante as questões de sexualidade) a partir de um viés progressista. O ponto é que a partir do momento que ele teoriza sobre uma suposta “ideologia de gênero” – e o que isso significa – ele se contradiz. E mais do que isso, ao endossar o termo “Ideologia de Gênero” como um substrato do “marxismo cultural” e algo que expressa “uma alucinação psicológica” engendrada pelo MEC e pelos “últimos 14 anos” [sic.] de governo, denota desconhecer os meandros que cercam esse conceito. Mais do que isso, Divaldo demonstra não entender absolutamente nada do que seja o marxismo, nem muito menos da atuação do MEC, quiçá de ser capaz de fazer uma boa análise de conjuntura política a colocar o petismo em seu devido lugar histórico (para bem e para mal). Ao contrário – e paradoxalmente – toma situações isoladas como regra geral, e endossa uma visão conservadora e reacionária que vem constrangendo professores/educadores, intelectuais e formadores de opinião, Brasil e mundo afora, com ações de amordaçamento intelectual e critico.

Movimentos como “Escola sem Partido” e a interferência negativa cada vez mais expressiva de bancadas fundamentalistas em temas ligados a lutas e direitos de minorias, diversidade e pluralidade (étnica, cultural, social, comportamental e espiritual) dão a tônica desse tipo de conservadorismo expresso. O termo “ideologia de gênero” se populariza nessa gramática tacanha do reacionarismo brasileiro, procurando anular qualquer iniciativa pró-diversidade que nossa educação com pretensões de emancipacão e civilidade deveriam ter. Como se defender a diversidade sexual, por exemplo, colocasse educadores e pessoas sensíveis ao tema no mesmo rol daqueles que endossam a violência doméstica, a pedofilia e a prostituição infantil, etc. Para os conspiradores que investem no termo, todos nós nos igualamos quando entendemos que o espaço da cultura e da sala de aula são essenciais para esse debate e para a manifestação da alteridade. Eis a razão da caça as bruxas empreendidas por movimentos conservadores a educação progressista. Se Divaldo tivesse conhecimento desse léxico e contexto, certamente teria tido a competência de fazer essas ressalvas. Não fez, por ignorância teórica e por ingenuidade conceitual.

Porém, quando alguém comete um deslize, podemos entender que aquilo foi fruto de um equivoco pessoal. Divaldo, enquanto humano, estaria sujeito a isso e convocaria de seus pares espíritas a benemerência e caridade da acolhida. Mas o médium baiano fala para uma multidão que o aplaude, seja por ele ser quem é, mas, sobretudo, por dizer algo conveniente ao que boa parte do movimento espírita brasileiro se traduziu: um antro elitista, inerte em perceber suas contradições e exclusões; que arrota ser ciência e filosofia, mas é incapaz de operar uma revisão epistemológica de seus postulados, mesmo quando a própria ciência contemporânea já rejeitou o positivismo e sua física social. O critério de verdade, para os espíritas, deixou de se ancorar nos dispositivos do método, se reduzindo, antes, a mera autoridade (supostamente moral) de quem hipoteticamente traduz a verdade: o médium, não o cientista ou o filósofo de outrora. Mas ainda é chique dizer o contrário nos cursos de iniciação doutrinária. É por essa razão que a fala de Divaldo encontrará eco: ela expressa o argumento de autoridade do “seareiro do cristo” ao mesmo tempo que conforma a tacanhez conservadora do espírita: aquela mesma que vê as questões político-sociais apenas como instrumentos para que ele possa, aos fins de semana, aliviar a consciência por ter exercido o dever filantrópico para com os “mais necessitados”; Que enxerga na diferença, na pluralidade e na diversidade, espécies de “desvios morais de irmãos vaidosos na senda da verdade do cristo”; Aquela que para tudo introduz a solução universal e totalizante: o evangelho (interpretado por eles) do luzeiro a ponto de uniformizar (ops, “unificar”) sonhos e ideais (preferencialmente dentro de uma instituição verticalizada e anacrônica) e de uma concepção de moralidade turva e binária…

Mas ainda digo que Divaldo Franco teve um mérito e um demérito em sua parca exposição. De forma relativamente nova e inusitada no meio espírita, convocou os fiéis da fé (nem tão raciocinada) kardecista ao exercício cívico. Invocou indiretamente um Kant quando clamou esclarecimento e fez o “uso público da razão” (como sugeriria o filósofo iluminista), emitindo sua suposta razoabilidade sobre o tema. Erra, porém se expõe e conclama. Eis o mérito. Ganha pontos (não sei se “bonus-hora”).

Por outro lado, o médium espírita é tido como uma proeminente liderança moral no seio, fruto de sua biografia exemplar e filantrópica. Eis o demérito (ou problema). Sua coragem kantiana tem um preço, também expresso pelo pensador prussiano: a responsabilidade do agir livre. Seus fiéis irão acatar sua fala como materialização da “voz dos espíritos superiores”; Joana de Angelis, Bezerra de Menezes, todos esses avalizariam em uníssono uma perspectiva subjetiva de um médium, que dos píncaros de sua ilustre biografia demonstra (des)entender do assunto tanto quanto nossos atuais presidenciáveis (des)entendem de economia ou de espécie humana. E isso será tomado como verdade, seja pelo aludido argumento de autoridade, quer por ser boa parte do meio espírita formado por pessoas que compactuam como uma visão moral conservadora, darwinista social, funcionalista e ainda presa no século XIX – única época em que a fé que professam poderia ser chamada de “científica”.

Parafraseando Millôr Fernandes, o movimento espírita tem um promissor passado pela frente. Resta saber até quando ele conseguirá convencer o seu meio de que suas contradições são apenas meros ataques de “irmãos menos esclarecidos” ou quando que irá assumir a coragem de dialogar, de fato, com a diversidade global e com o mundo verdadeiramente científico – que se um dia existiu no meio espírita, padeceu no início no século XX. Tenho minhas dúvidas e prefiro concordar com Chico Xavier (citando Leon Denis) que certa vez disse que a doutrina espírita seria aquilo que os homens fizessem dela. Atualmente, eles cobram 290 reais o encontro, mas de forma “caritativa” dão isenções e transmitem pela web insanidades opinativas semi doutrinárias. Oremos…

AUTORIA: Diego Avelino de Moraes Carvalho -Doutor em História e Mestre em Filosofia, professor do IFG.

48 Comentários

    • As pessoas podem ser o que elas quiserem, meu caro. Sendo espíritas ou não. Apenas acho um contra-senso intelectual alguém se dizer espírita e ser conservador. Repito, um contrasenso intelectual. Leia Edmund Burke (o principal teórico do pensamento conservador) e depois estude a biografia de Kardec e suas posições na Revue Espirita. Talvez assim possamos voltar a dialogar e o senhor me apresentar os argumentos. Não teria problema algum em rever posições. Em tempo, uma visão destoante do conservadorismo não significa classifica-la de “esquerdista” ou “comunista” (como sugeriu-se em comentário nessa sessão). O mundo teórico é mais amplo do que esse binarismo.

      • Diego, por que seria “um contra-senso intelectual alguém se dizer espírita e ser conservador”? Poderia mostrar-nos, em Kardec/Espiritismo e Burke, o “contra-senso intelectual” que você alega existir?

    • Parabéns pelo texto que serviu de discussão ao grupo multidisciplinar de saúde, sociedade e espiritismo da Universidade na qual sou pesquisador. Participaram profissionais de saúde como odontólogos, médicos, enfermeiros, das Ciências Humanas, Exatas e Sociais aplicadas. A discussão foi produtiva e foi possível ouvir com elegância diversas colaborações e provocações para os novos olhares que o mundo atual precisa. Muito grato!

  1. Em primeiro lugar meu caro Filósofo. A fisica quantica explicanfo a natureza do espírito não é criação dos espiritas e sim de pesquisas serias e nao espíritualidtss. Em segundo lugar a disforia de gênero que é de cunho medico …ah e eu sou médico… tem sido deturpada sim por ideias falsas que a denominam teoria dis generos … sem qualquer respaldo científico. Quanto so marxismo me diga qual pais marxista que respeitou direitos … qual país marxista deu certo? Todos sabemos sim e invlusive divaldo sobre os metodos marxistas de domínio. Nao somos idiotas e vc se volta contra divaldo por pura alienação digna de comunista ,

    • “A fisica quantica explicanfo a natureza do espírito não é criação dos espiritas e sim de pesquisas serias e nao espíritualidtss.”(sic) Poderia citar artigos acadêmicos que respaldem essa afirmação? Não vale livros de auto-ajuda e revistas de curiosidades tipo Superinteressante.

    • Bom dia, “Doutor”. Não disse que a Física Quântica é uma invenção dos espíritas. Afirmei apenas que há um uso de seus postulados (na maioria das vezes de forma deturpada) para tentar conferir um grau de cientificidade a causa. Apenas isso. Quanto ao marxismo (ou comunismo), não me afilio a essa corrente epistemológica ou teoria político-economica. Apenas salientei que a associação feita é improcedente, conceitualmente. Por fim, não me volto contra Divaldo. Ele é uma pessoa que nutro respeito, admiração e carinho. Me volto contra a formulação (?) teórica que ele fez sobre o assunto – que para mim é um sintoma de um modo de pensar cada vez mais hegemônico dentro do meio espírita. Tão somente isso. De resto, ele continua sendo uma ótima referência biográfica e bibliográfica – inclusive para pensar as questões de gênero. Abraços Fraternos!

  2. Bom dia, Diego! Seu texto é excepcional. Fiz questão de compartilhar no Facebook. Você é ou foi espírita? Também sou historiador e fiz parte do movimento espírita durante muitos anos. Ainda acredito em uma transcendência, mas abandonei o movimento. Contudo, estudo o Espiritismo academicamente, como um fenômeno social. Se quiser trocar ideias, entre em contato, pois montamos um grupo de historiadores para discutir essa temática. Abraços!

  3. Senhor Diego Avelino.
    O senhor colocou em seu texto muitas palavras “na boca” do senhor Divaldo Franco. Percebe-se no seu discurso um atravessamento do lugar de fala, quando o senhor, na sua petulância, sugere como o senhor Divaldo Franco deveria ter começado a sua fala.
    Estamos cansados da imposição de uma única voz (como o senhor tenta fazer). Ao longo da história da humanidade, todos aqueles que foram na contramão da voz impositiva da sociedade foram perseguidos e mortos (Jesus, Sócrates, Gandhi, etc). As pessoas só querem ouvir aquilo que convém a elas.
    O senhor na sua rigidez intelectual tenta impor suas próprias verdades e opiniões como se fosse a verdade universal.
    Vários segmentos da sociedade ao longo de muitos séculos vêm pleiteando um lugar de fala. E quando se pensa em lugar de fala, pensa-se em múltiplas vozes e não mais a imposição de uma voz.
    O senhor não precisa concordar com Divaldo Franco, porém, não venha com seu “impor de intelectual”.
    Portanto, o senhor Divaldo Franco é uma voz que surge não para agradar a uma sociedade hipócrita, mas para provocar e questionar. A nossa sociedade, do meu ponto de vista, está abalada em seus fundamentos.

    • “Estamos cansados da imposição de uma única voz (como o senhor tenta fazer). Ao longo da história da humanidade, todos aqueles que foram na contramão da voz impositiva da sociedade foram perseguidos e mortos (Jesus, Sócrates, Gandhi, etc). As pessoas só querem ouvir aquilo que convém a elas.
      O senhor na sua rigidez intelectual tenta impor suas próprias verdades e opiniões como se fosse a verdade universal.”

      Usei o comentario o do senhor para dizer que ele se aplica a todos os contextos: a minha fala, a do Divaldo, a sua…

      Em tempo, poderia dizer que meu texto veio no sentido de ser “(…) uma voz que surge não para agradar a uma sociedade hipócrita, mas para provocar e questionar. A nossa sociedade, do meu ponto de vista, está abalada em seus fundamentos”

      Provavelmente o senhor não aceitaria tamanha petulância. Pois é…Voltamos ao item de que “(…) As pessoas só querem ouvir aquilo que convém a elas.”

      Um abraço!

      • Em tempo, vamos debater as questões que levanto no texto, que dizem menos a pessoa do Divaldo e mais a uma cultura de movimento. Minha voz não pretende ser impositiva, muito menos rígida. Foi uma opinião minha, tal qual a de Divaldo foi uma opinião dele. E a sua, a sua. A rigidez está no não-debate, no não-se abrir para o diálogo, ainda que crítico. Afinal, não me interessa aqui a minha, a sua ou a brilhante e referencial biografia de Divaldo, e, sim, ideais dentro um contexto. Vamos dialogar?

        • Com a diferença dos espaços de fala. Você expressa sua opinião em seu blogue, não dá pra ser impositivo assim. Quem está aqui veio porque quis saber o que pensa a respeito do tema. Divaldo, embora apresentasse opinião pessoal, não a proferiu em uma roda de bate papo qualquer, mas como orador em um grande evento espírito, logo, a meu ver, ele fala enquanto liderança. Eu não sou inteligente, nem tenho os títulos que as pessoas que comentaram parecem ter, ou como você tem, mas creio que as lideranças são seguidas. E ele fez uso deliberado de sua influência ao conclamar as pessoas ao dever cívico, mas um dever cívico muito pautado em sua própria visão de mundo.
          Bem, estranho é que as palavras do orador espírita muito diferem de suas ações práticas pautadas na tolerância e na caridade, as quais são de conhecimento de todos. O problema é que um discurso como o dele incita a intolerância no convívio com as pluralidades das pessoas que estavam na plateia e das demais que assistiram depois, as quais poderão ir na contramão das ações benéficas de Divaldo. Era preciso ter mais cautela ao tratar de assunto tão polêmico.

    • Eu apoio o Divaldo Franco por seu caráter e conduta que tem demonstrado ao longo de toda a sua vida . Um ser de uma inteligência e Cultura notável e que promove e vive o espiritismo na íntegra. Duvido que depois de Chico Xavier exista alguém mais espírita no sentido real da palavra que o Divaldo. Um homem que faz a caridade a muitas pessoas.

  4. Sou espírita, professora de história e não concordo com a fala de Divaldo Franco. Fico triste em perceber que sou uma exceção no movimento espírita.

  5. Amigo, se Divaldo comete um equívoco ao não enfatizar que se tratava de uma opinião sua, o Sr. Comete outro ao generalizar tal erro como sendo um problema “dos espíritas”. Ou o que é pior, da doutrina espírita. Estudemos…

    • Entendo que reconhece pelo menos um dos equívocos de Divaldo. Mas sugiro que releia meu texto e veja que se trata de uma análise de conjuntura do que veio se convertendo o movimento espírita no último século (por consequência, a própria doutrina espirita, já que ela não se trata de algo pronto e acabado, mas de algo dinâmico), no tocante aos seus supostos aspectos filosóficos e epistemológicos. Como “análise de conjuntura”, obviamente que se reconhece as exceções, mas a ideia é de ofertar um panorama grosso – por isso a suposta generalização. E, mais ainda, de uma opinião! Vamos debater os pontos específicos e o senhor demonstrar o equívoco de meus apontamentos, para além da desconsideração de meu texto pelo seu suposto generalismo e reducionismo?

      No mais, obrigado pela recomendação aos estudos, Victor. Forte abraço!

  6. Nunca imaginei que veria uma discussão como essa, dessa forma, sobre o Espiritismo, nas mídias sociais, com agressões de todos os lados, muito menos a partir de uma fala de um orador espírita que emitiu publicamente a sua opinião (com a qual não concordo), mas que não disse que era a SUA opinião, não dá Doutrina espírita… Triste… Para onde vamos?

  7. Caro “doutor”, “filósofo” e “historiador” do IFG ou sei lá o que você deseja se passar. Não sou espírita nem religioso mas avalizo as palavras de Divaldo, assim como todos que não se deixam enganar por parafraseamento rebuscado e tendencioso como o que o senhor utiliza para distorcer a moral e a retidão de uma cultura frágil como a dos brasileiros. Nota-se claramente que a arrogância das suas palavras tem claras intenções de desconstrução de reputações. É lamentável que pessoas de nível intelectual elevado como o senhor se utilizem de prerrogativas simbólicas para a manipulação intelectual das massas a impor suas agendas tendenciosas para gerar caos em favor de uma ideologia degradante. Não vejo humanidade em suas palavras, somente uma narrativa imposta a favor de um sistema claramente opressor. Um sistema onde os parasitas querem tomar para si toda a energia e controle de recursos.

    • Bom dia Wily. Não desejo passar por nada além daquilo que sou, por formação académica e concurso público. Não se trata de desejo, portanto. Com tudo o que isso tem de orgulho para meus pais e de problema para o senhor. Se fosse espírita, talvez (embora isso não seja regra) compreenderia alguns pontos de minha argumentação sobre o que o movimento espírita se tornou na práxis. Posicionamentos como o meu estão longe de serem hegemônicos e dominantes, muito menos impositivo. O contrário, já se percebe. Mas só a vivência no meio poderia, de fato, dizer se estou certo ou errado (e em que proprorções). Ainda assim, como a minha e a de Divaldo, sua interpretação seria estritamente subjetiva.

      Em tempo, não desejo desconstruir nenhuma reputação. A vida e obra de Divaldo Franco é admirável e serve de exemplo, para espíritas ou não. Apenas entendo que o que ele proferiu a respeito: 1) Vai contra o que suas próprias obras e posições anteriores afirmam sobre gênero e sexualidade – sempre tomadas nelas numa perspectiva não conservadora). Por isso o assombro; 2) Expressa uma posição cada vez mais hegemônica no meio espírita, pautado por um comportamento não-científico e investigativo (já que a mesma se arvora “cientifica e filosófica”, enquanto doutrina), quanto a temas atuais. Novamente, perspectivas como a minha são minoritárias;

      Por fim, respondendo a uma indagação mais acima, não sou marxista, muito menos tributário dos modelos socialistas de governo. Os acho equivocado. Da mesma forma, não desejo impor nenhuma ideologia, ou impor narrativa, mas como livre-pensador, me dou o direito de me posicionar contrário aquilo que entendendo como equivocado. É um direito constitucional e um dever para com minha formação e propósito de vida – que longe está de querer “manipular massas” e impor “agendas tendenciosas”. Mas é gastar o tempo aqui quando uma idealização negativa já foi feita de minha pessoa. Triste.

      Quanto a parte da arrogância e ausência de humanidade, não me coloco na condição de agente moral de perfeição. Talvez aí justifique sua perspectiva, embora sempre entenda que quando fazemos julgamentos tão forte assim, desconsiderando todo um contexto, estávamos mais a projetar algo de nós do que fazer bons diagnóstico dos outros.

      Tenha uma boa semana, Wily.

  8. Texto irretocável.
    Tenha paciência com os cegos e inconformados. Para sua própria saúde, sugiro que ignore tergiversações e perguntas esdrúxulas, é puro sofisma… silogismo.

  9. Obrigada Diego pela sua análise e lucidez, sou espirita e me senti representada. Divaldo foi aquilo que o espiritismo mais combate: foi vaidoso. Sem ter domínio do tema e com parcialidades evidentes, quis opinar, o que é pior, em nome do espiritismo!! Mas isso só aconteceu porque há clima propício para esse tropeço: a grande massa de espíritas conservadores e moralistas. Gosto muito da doutrina, mas os espiritas, aspirantes ao troféu da caridade, estão a cada dia, mais preconceituosos, com preguiça de pensar e intolerantes.”Oremos”.

  10. Espíritas não creem em Santos, mas no movimento espírita algumas pessoas não só santificam os expoentes, literalmente os canonizam em vida, contestá-los seria um
    Sacrilégio. Tempos difíceis!

  11. Essa polêmica me remete a um caso distinto, embora envolva a questão da sexualidade de forma mais trágica. Há pouco mais de um ano ocorreu um fato grotesco: uma médica espírita do Mato Grosso recusou-se a atender uma criança vítima de abuso sexual. A justificativa da doutora era a seguinte: a vítima tinha “uma energia sexual que puxou o tio para ter sexo com ela” e que não atenderia a criança, atualmente com sete anos de idade, porque não queria se envolver naquele “problema espiritual”.E mais: “A sua filha não é vítima de nada, ela tem que se responsabilizar”, disse a médica à mãe, segundo consta do processo. Por telefone, a pediatra disse que era espírita, que a menina havia tido “outras vidas” e que, na vida atual, nasceu “com esse problema para resolver” e que por essa razão “ninguém é vítima de nada”. Houve sindicância, todo o processo judicial, a pediatra teve que pagar indenização etc… A imprensa procurou a Federação Espírita daquele Estado,que lavou as mãos, dizendo que a pessoa tinha liberdade de expressão. As Associações Médico Espíritas do Brasil, salvo engano, trataram o caso com indiferença, houve um abafamento geral, em parte porque se tratava de uma pessoa obscura dentro do movimento e o assunto da violência sexual e suas causas ditas “espirituais” dentro da visão espírita é constrangedor e sujeito a interpretações das mais bizarras que acabam levando para a responsabilização da vítima e não do criminoso…

  12. Há uma grande tentativa de “abafar casos e posturas” da parte de quem se coloca a favor dos estudos de gênero. “Abafam” – termo popular muito utilizado pelo público que intentam proteger a qualquer custo – que, por “progressista” deveríamos entender “socialista”, “esquerdista”, “comunista” – portanto, alinhados com o discurso que desejam, a todo custo, tornar hegemônico em toda parte – nas escolas, nos templos, nos Centros Espíritas, em Marte. Mal sabem que os escritos de Marx, muito bem interpretados pelo filósofo italiano também progressista conhecido como Antonio Gramsci, verdadeiramente expõe seu incômodo com aquilo que chama “família burguesa”, aquela mesma onde temos pai, mãe, filhos, e que tanto incomoda ao articulista e a um sem número de doutrinados desde os bancos de escola até a faculdade. Como não foram expostos a outros saberes, a outras formas de pensar, passam a julgar que, fora de seus recônditos, não há saber, não há pensar, não há nada mais. E passam, como é neste caso, a colocarem-se como autoridades sobre um assunto que, até hoje, não tem QUALQUER embasamento científico, e que conta apenas como alguns tendenciosos estudos advindos todos de ideólogos simpatizantes sabe de quem? Marx, Gramsci, Beauvoir e outros tantos “progressistas” de carteirinha, que adoram experimentos sociais como o de Cuba, Coreia do Norte, URSS, China de Mao, e outras tantas “maravilhas” que só trouxeram atraso e morte a inúmeros povos mundo afora. Derrotados em todas as suas tentativas, hoje partem para a dissolução de comportamentos, com que objetivam derrotar o “terrível” capitalismo malvadão, mesmo que isso seja feito por meio de telas de computadores da Apple ou de uma celular “bacana”, apesar do partidão ter sido contra as privatizações que puseram o aparelho em suas mãos a baixo custo. Antes, pois, de arrotarem seus conhecimentos adquiridos para “cubano ver”, poderiam muito bem procurar entender mais a fundo p mecanismo das coisas não só à luz da sociologia, mas das várias ciências que nada de conclusivo apontam para a questão de gênero. Antes, atestam que os indivíduos acometidos por essa disforia são imensamente infelizes, sendo que um número consideravelmente alto deles desenvolve depressão ou se suicida. Mas isso também é escondido. Afinal, temem o contraditório.

    • Não queria me intrometer, mas para essa visão de mundo as distorções proferidas pelo inquestionável, infalível e médium “santo” baiano caem como uma luva.

  13. Com que moral vocês falam o nome de Divaldo Franco? Vocês deveriam lavar a boca pra falar de um ser íntegro e honesto, que a única coisa que fez foi defender as crianças de mentes doentes como a de vocês… ideologia de gênero é tão bom que foi vetada na Europa há muitos anos… Idéia marxista sim, querendo incutir na mente das crianças dúvidas com relação a sexualidade. Veja os Estados Unidos, as ultimas pesquisas com jovens que fazem parte dessa experiência nefasta, estão sem opinião própria e desorientados! Imagina essa ideologia no Brasil, o povo já é sofrido e ainda mais isso… vão procurar o que fazer seus desocupados, porque toda essa revolta com o sr Divaldo Franco é inveja por ele ser um ser de muita luz, que veio pra essa vida só fazer o bem. Parabéns pra vocês Divaldo Franco e Haroldo Dutra, vocês me representam, sou realmente feliz em ser espírita!

  14. Excelente texto. Eu sou espírita, mas me afastei de centros espíritas justamente por essa noção equivocada de ciência (que ainda é positivista), pela visão bíblica das obras de Kardec e também por um moralismo dos espíritas. Participei de um grupo de jovens espíritas que era bastante progressista, fizemos palestras sobre Gênero e Espiritismo, falando sobre os direitos da comunidade LGBTT, com o entendimento de que é justa toda a forma de amor e apresentando dados sobre violência contra essa comunidade. Também conheço obras do Alysson Mascaros que é bastante progressista. Não me decepcionei com o espiritismo, porque entendo que ele deve evoluir ao longo do tempo, mas não mais me identifico com o movimento espírita. Hoje reconheço que minha atuação em movimentos sociais é mais edificante, respeitosa e cristã que a de muitos grupos espíritas. Porque existe muita coisa para além da caridade, o amor ao próximo se faz na luta por uma sociedade justa e igualitária, prioritariamente.

  15. Olha, estamos basicamente no mesmo lado nessa questao. Concordo com tudo o que vc falou sobre o tema em si (“ideologia de genero”) e discordo com tudo o que Divaldo Franco falou sobre o mesmo tema.

    Mas vc critica as generalizacoes feitas por Divaldo, ao passo que generaliza absurdamente os espíritas e o espiritismo!
    Contraditório…
    E essa generalizacao feita por vc acaba servindo quase como um ataque ad hominem. Ao invés de desqualificar apenas o argumento, vc passa mais da metade do texto tentando desqualificar a pessoa (e a instituicao por trás) do argumentador…

  16. Questões menores como esta desviam o foco principal que se resume O BRASIL TEM A PIOR DISTRIBUIÇÃO DE RENDA DO MUNDO. Isto tem origem no Colonialismo, na escravidão,no racismo, no orgulho e no egoísmo de classe, que gera o ódio ao pobre. Milhares de explicações foram dadas para desviar e enganar esta realidade. O Espiritismo que deveria ser protagonista na promoção da igualdade fraternidade e liberdade se limitou dando uma explicação reencarnacionista a meritocracia de classe e a salvação pela caridade. Isto é paralisante e conformista, precisamos fazer mais.

    https://m.youtube.com/watch?t=336s&v=hKFhdbBg9Jo

  17. Não existindo uma FACULDADE DE FILOSOFIA ESPIRITA que permita formar pessoas capacitadas a raciocinar logicamente e verificar a coerência de assuntos cotidianos com o Espiritismo ficamos a mercê de opiniões de Médiuns que mais mostram preferencias pessoais em agradar determinado segmento da população que propriamente um pensamento compatível com a Doutrina Espírita

  18. Parabéns Diego, seu texto está muito lúcido. É muito importante meditarmos sobre tudo que vem acontecendo. Acho estas turbulências importantes para nosso crescimento, quem sabe estaremos na vanguarda intelectual e social no futuro? Mas para isso precisamos de mais discussões filosóficas e científicas. Convenhamos que pelo menos para isso serviu a opinião de Divaldo.

  19. Então o senhor não é defensor de ideologia, não se define de direita ou esquerda, não é espírita e se julga capaz de dizer o que seria o Espiritismo, porém, o senhor não é capaz de separar o Espiritismo do movimento QUE SE DIZ espírita.

    Quando o senhor alega que o Espiritismo não é conservador, já fica claro que o senhor NÃO SABE NADA SOBRE ESPIRITISMO, portanto, diante deste fato, suas palavras somente resultarão em “erro de lógica”, as famosas FALÁCIAS, ou se preferir, SOFISMAS!

    Critique quem e o que quiser, pois é direito seu, porém, tenha o mínimo de dignidade de criticar após estudar aquilo que se propõe a criticar para que não fique “feio” diante daqueles que conhecem o que você tenta criticar sem ao menos saber o que seja.

    Há muitos esquerdistas que alegam não ser “nada” em termos políticos, ideológicos etc, porém, não passam de subversivos tentando subverter os menos atentos.

    Boa sorte, ou dignidade, na próxima crítica!

  20. “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei”. A frase, atribuída a Allan Kardec, diz tudo. No entanto, nem todos os espíritas entendem ou tem dificuldade em entender que a natureza humana não é algo estanque no tempo. Por esse motivo permanecem em suas “zonas de conforto” conservadoras e não abrem a mente e o coração para novas realidades ou idéias.

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