Chá de Gim: Uns menino bão, uma canção do futuro e a caminhada até aqui 

(Foto Reprodução)

Quando se fala em música alternativa em Goiás, Chá de Gim é um dos principais nomes que vêm à mente, chegando a ser considerada pelo jornal O Globo como um dos destaques no segmento. O quarteto atualmente é formado por Diego Wander (vocal e percussão), Bernardo Rodrigues (baixo), Caramuru Brandão (guitarra e vocal) e Alexandre Ferreira (bateria).

Ao longo de quase quatro anos, a banda passou por mudanças e amadurecimento, mas preservando o que foi a sua marca desde o início: músicas com letras poéticas e fortes, envoltos à ritmos abrasileirados que por vezes dá um toque de psicodelia.

A banda como seu próprio nome sugere, é um misto de sensações e texturas. “O chá e o gim, entre a calma e a loucura, sobre a leveza e o excesso”. O resultado são músicas que vão além de seus ouvidos, passam a contagiar o corpo todo. Quando menos se espera, você já está se deixando levar pelo balanço, executando passinhos involuntários, embalados pela energia do som e a performance quase que teatral do vocalista.

As influências desses meninos vêm de grandes nomes da música brasileira, como Caetano Veloso, Tom Zé, Luís Gonzaga e também de clássicos do rock como Pink Floyd e Led Zeppelin. Com essa musicalidade diversificada que a torna original, o grupo venceu dois festivais de música em 2014, o Canta Cerrado e o Festival Juriti. Mesmo com a banda recém-formada e sem nenhuma música até então gravada, o quarteto conseguiu fazer os jurados, entre eles Jorge Mautner, balançar e cantarolar, ao som de ‘Zé’, o primeiro single da banda.

De lá pra cá, a Chá de Gim vem participando de eventos, como o Canto da Primavera, em Pirenópolis, o Chorinho do Grande Hotel, Goiânia Canto de Ouro, Vaca Amarela, Grito Rock, dentre outros pelo Brasil. A próxima apresentação do grupo está prevista para o dia 2 de março, no Sesc Centro, Goiânia. Além dos shows a todo vapor, o quarteto lançou algumas canções no ano passado, fazendo a alegria de quem gosta da banda e deixando um gostinho e fome pelo que está por vir.

“A Chá de Gim é um quinto elemento mutável por natureza, e sempre soubemos disso”

Goianidades: Vocês venceram alguns festivais logo no início da banda. Hoje tendo acumulado mais experiência na cena cultural, principalmente a de Goiânia, o que podemos notar de mudanças ou amadurecimento no trabalho da Chá de Gim?

Chá de Gim: A mudança traz e é a própria evolução em muitos sentidos, naturalmente. Quando se fala nas nossas experiências na cena cultural, daqui de Goiânia, e de outros lugares que tivemos oportunidade de tocar, como em Brasília, por exemplo, a primeira coisa que nos vem à mente é que isso nos permitiu certo amadurecimento enquanto músicos e também enquanto consumidores da música. Digo, agora entendemos mais do que nunca o quanto é substancial poder enxergar a coisa dos dois lados, de dentro e de fora, principalmente quando se diz respeito à música independente. É como ter acesso a um novo sentido, que se mostrava ainda muito rústico até um tempo atrás. Essa nova percepção nos despertou para o que é necessário ter e entender para se atingir o objetivo comum, e certamente foi uma das razões que afunilaram nossa música para novas ambições e novas direções.

G: Sobre ambições, logo que saiu o Comunhão [em 2015] quando perguntado a vocês sobre qual a mensagem que a Chá queria passar, a resposta era: “A gente quer quebrar o gelo da música brasileira”, se referindo ao preconceito que ainda há na música. Esse objetivo ainda continua?

C. G. :Quebrar o gelo, sim, mas não necessariamente e somente no sentido de lidar com a resistência e preconceitos que existem nesse meio, mas também com a ideia de quebrar determinados, “padrões” musicais. Muitas e muitas vezes esses padrões são estabelecidos pela própria indústria cultural, que de certa maneira formata o que o público consome, o deixando acomodado, com um modelo predeterminado de senso crítico. Sem sombra de dúvida, buscamos inovar o que se pensa sobre música popular brasileira, explorando o que ela nos oferece de melhor, mas sem perder a espontaneidade, sem que isso pareça pretencioso, é claro.

Da esquerda para direita: Alexandre Ferreira, Bernardo Rodrigues, Diego Wander e Caramuru Brandão (Foto Reprodução)

G: Houve a troca de integrante na banda. Isso gerou algum tipo de impacto na identidade da Chá de Gim? Como a chegada do Bernas influenciou na sonoridade das músicas e nas novas criações?

C. G.: Sentimos que mudamos bastante, mas não essencialmente. A Chá é um quinto elemento mutável por natureza, e sempre soubemos disso. O Bernas tem influências diferentes das que o Bruno tinha como baixista na época, e isso com certeza deu às nossas músicas novas uma cara distinta das antigas.

G: Por falar nisso, “Canção do futuro” tem uma pegada diferente das anteriores. Como foi a experiência de fazer esse single?

C. G.: Canção do Futuro foi uma experiência incrível e trabalhosa. Nós já tínhamos o esqueleto dela, que veio do Diego, e imaginávamos mais ou menos como seria o produto final, mas não que iria se transformar em uma progressiva tão incomum. À medida que fomos tentando a introduzir em shows sentimos a necessidade de uma parte instrumental, no que saiu uma valsa longa e bastante atípica após a parte cantada. No mais, foi algo que fluiu calmamente nos processos criativos individuais, convergindo num resultado que agradou todo mundo no final. Consideramos um dos nossos melhores trabalhos até agora.

G: E o próximo álbum tem data de lançamento? O que podemos esperar?

C. G.: Ainda não há uma data de lançamento definida, apesar de estarmos cogitando ser ainda esse ano. A prioridade tem sido o aperfeiçoamento das ideias novas, enfocando mais no processo criativo-técnico, até o ponto de alcançarmos um resultado prático mais satisfatório que o do primeiro disco. Temos ambicionado músicas que surpreendam, que comovam tanto a nós quanto aos fãs, algo que seja realmente aquilo que atinja o máximo do potencial, e entendemos que isso envolve fatores que estão além do tempo. Mas eles merecem. Todos merecem. Vale a pena esperar pelo que vale a pena sentir.

(Foto Reprodução)

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Juliana Camargo
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Jornalista, escorpiana, feminista, filósofa de bar e expert em assuntos aleatórios e sem nexo.

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