Coral Goiano traz intérpretes de libras em apresentações natalinas

Neste mês de dezembro o grupo Cantoria, coral goiano regido pela musicista Elen Lara realiza apresentações natalinas e tem uma surpresa para os deficientes auditivos. Tradutores de libras também estarão presentes para interpretar as músicas durante as performances. A musicista, que também é empreendedora, conta que a ideia de incluir os intérpretes surgiu de uma parceria entre a Empreender Música e o curso TRADUÇÃO/LIBRAS da UFG. O principal objetivo, segunda ela, é aproximar os universos surdos e ouvintes.

A cirurgiã dentista Sirlene Rossi de 62 anos, integra o Coral há cerca de nove anos. Ela tem um irmão que ficou surdo, após contrair um tumor aos três anos de idade. Sirlene fala da necessidade que essas pessoas têm de se sentirem incluídas e conta a experiência emocionante que viveu em uma de suas apresentações com o grupo: “… Quando participamos do Festival Piribier. Nós entramos cantando La Traviata… Depois um rock nacional. No final, fiz questão de fazer um aplauso que é próprio dos surdos. Quando eu fiz esse sinal eu vi respostas em cada canto do local onde estávamos. E para mim foi uma emoção muito grande porque vi que eles se sentiram considerados, incluídos.”.

Para a tradutora de libras da UFG, Janaína Carvalho de 25 anos, uma das intérpretes convidadas para as cantatas, realizar essa tarefa é muito gratificante, mas um desafio que exige trabalho em equipe: “Interpretar músicas requer um tempo maior de dedicação do que interpretar um texto ou uma conversa, por exemplo. É necessário que haja mais de uma intérprete nas apresentações para revezar e dar apoio.” A intérprete explica como o trabalho é feito: As músicas geralmente têm ritmo, metáforas, emoção e para que isso seja passado para o surdo é necessário fazer adaptações, usar bastante classificadores (recurso utilizado para marcar pessoas, animais e objetos no espaço de sinalização). Ela explica ainda que nem sempre o que é dito na música é compreendido no primeiro instante pelo surdo, é preciso fazer uma reflexão sobre a mensagem de uma canção e só depois adaptá-la para a língua de sinais, assim é possível fazer com que a música faça sentido para eles.

Cenário Musical e inclusão social

Quando pensamos em música, parece impossível a ideia de poder sentir a emoção que ela contém, sem poder ouvir a melodia. Mesmo com o desafio que os intérpretes têm em transmitir a mensagem musical através dos gestos, um obstáculo ainda maior é a falta inclusão social. De acordo com a musicista Elen Lara, o cenário musical apesar de muito produtivo, não abraça de forma genuína, pessoas com necessidades especiais. “O cenário musical está fértil e com muita produtividade, porém, com pouca ou quase nenhuma inclusão social. Pensar inclusão é trabalhoso e 100% das pessoas estão “correndo” de mais trabalho.” Lamenta.

Apesar disso, a artista acredita que é possível transmitir toda emoção da música através da linguagem de sinais, principalmente quando o ambiente é receptivo. “Tocar na alma das pessoas não é tarefa fácil, mas toda a equipe está totalmente comprometida com este fazer muito mais do que simplesmente artístico. Nossa prioridade são pessoas e a música, o gesto, o som, o contato visual, são ferramentas utilizadas para este fim.”

O Coral Cantoria é apenas uma das ações da Empreender Música, empresa que desenvolve ações culturais em Goiás. E que também contemplam projetos sociais e de sustentabilidade. Além das apresentações musicais com tradutores de libras neste natal, o coral já têm espetáculos marcados para a Páscoa de 2018, intitulado: “Ele nos amou primeiro”.  Lugares como o Lixão (Projeto Crisálida) e a Penitenciária Feminina também receberão o Cantoria.

→ Confira a agenda do Cantoria para este Natal e prepare-se para muita emoção. Os espetáculos aqui divulgados têm entrada franca:

  • 03/12 IGREJA PRESBITERIANA MARANATA- 18h (AV D, SETOR MARISTA).
  • 05/12 TEATRO SESI- 20h
  • 10/12 IGREJA REMANESCENTES EM CRISTO – 19h (T-63 PARQUE ANHANGUERA)
  • 18/12 OVG PRAÇA CÍVICA- 20h30

Escrito por: Jéssyca Evellyn M de Souza – Jornalista, 26 anos

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Gestor Cultural, Educador, Turismólogo e criador do Goianidades.

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