Rimando amor e dor

Caetano é um cara que tem sido bem presente na minha vida. E de vez em quando ele faz umas perguntas um tanto quanto complexas, pelo menos eu tenho achado. E “pra que rimar amor e dor”, bendita língua portuguesa? Eu confesso que se não fosse Caetano e algumas ações da minha trajetória pessoal e espiritual, que inclui não incluir os grandes meios de comunicação no meu dia-a-dia, não sei se eu me atentaria pra essa questão.

Nesse atual modelo em que vivemos parece que nem tem lugar pra essa tal de dor existir. Afinal ela é ruim, não e mesmo? Televisão, rádio ou internet: o que encontro é a venda arbitrária da felicidade, que parece vir embutida em roupas, viagens e celulares. E se, por acaaso, você pensar em sentir esse negócio de dor, é só virar a esquina, entrar na primeira farmácia (porque tem várias na mesma rua) e comprar logo a sua pílula dissolvedora de males, mais conhecidas como ansiolíticos, antidepressivos, benzodiazepínicos, dipirona, dorflex, entre outros apelidos. Ah! Vale avisar que eu não costumo separar a dor física, da emocional e espiritual, já que nós somos tudo isso. E justamente por isso, tenho encontrado a cura em outros lugares que não a farmácia, já que essa oferece remédio para os sintomas e não para a causa dos problemas. Mas já que Caetano perguntou, fui eu atrás das respostas.

Cheguei na dor e lá estava ela onde sempre esteve. A diferença é que, agora, eu não só a reconhecia, como a encarava. Mais do que isso! A sentia, em mim. Doeu, como o próprio nome anuncia. A surpresa é que enquanto doía, o amor chegou e me deu a mão. Abraçamos juntos a dor tão forte, mas tão forte (que nem o abraço do meu tio quando era criança e seus braços ainda davam duas voltas no meu tronco e quase quebrava minhas costelas, mas eu só ria de tão apertado que estava), que acabamos atravessando e transcendendo-a. Pra sair da dualidade e deste lugar superficial que nos ensinaram a habitar, é preciso mergulhar fundo pra voar alto.

É preciso aceitar que a dor e a sombra existem, assim como o amor, a felicidade e a luz. E mais ainda: são coisas naturais do ser humano, cê acredita?! O segredo é que quando olhamos com outro olhar pra essas coisas que, antes, foram tidas como ruins, passar por isso não necessariamente continua a ser ruim ou muito difícil. E a gente aprende a chegar na parte boa da brincadeira mais rápido quando entende que todas essas coisas também fazem parte do jogo. O segredo é rir da dor e dançar com a sombra. E sabe quem pode fazer isso por você? Só você.

Karol Santos
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Karol, goiana de pé rachado que caminha pelo mundo em busca da construção de uma nova realidade

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