Enquanto um de nós for prisioneiro, nenhum de nós será livre!

Eis que novembro brota do finalzinho do ano quase sem prestigio, quase sempre esquecido, mas quando chega, vem fazendo um alvoroço. Gente preta na TV, no jornal, na rádio! E tem tanta gente preta assim no Brasil? Em novembro tem!
Novembro é tempo de levantar a bandeira do anti racismo a partir da máxima “somos todos iguais!” Ou “somos todos macacos”? E somos? Em novembro sim, afinal pertencemos todos a mesma raça humana, pelo menos depois do século XIX!

Em novembro as pessoas que trabalham intensamente no combate ao racismo e por isso são hostilizadas, acusada de vitimismo e de mimimi passam num piscar de olhos a protagonista, heróis e heroínas de um brasil que não desiste nunca!
Mostrar em novembro e exterminar o ano todo, essa é a meta!

Onde estão João Cândido, Carolina de Jesus, Tereza de Benguela? Mortos, todos mortos pelo epstemicidio, mortos pela história convencional que os esconde e os marginaliza e se vivos fossem estariam como Rafael Braga que é o único condenado pelas manifestações de junho de 2013, portando seu desinfetante explosivo, ou os 6,00 reais letais de Cláudia ou as mãos para o auto e os pedidos de clemencia dos 13 jovens no Cabula!

Novembro me surge sempre como um grande paradoxo: comemorar ou não comemorar?
Comemorar as cabeças enfeitadas de blacks e tranças, mas que adornam uma mente cheia de valores eurocentrados e o desconhecimento quase que completo da sua história?

Acredito que só vale a comemoração em novembro se for pra relaxar de um ano inteiro de protestos veemente contra os dados alarmantes de morte, pobreza, desemprego, encarceramento e extermínio do povo preto na amerikkka*.
Talvez um momento de dizer as mães que tiveram seus filhos assassinados que somos fortes e que é com essa garra que lutaremos por justiça!? Talvez.

Hoje meu sentimento é que os mega shows são um lindo momento de dar a artistas negros a possibilidade de se apresentarem e se posicionarem sobre o tema de maneira pública e isso é muito bom, mas esse não pode ser o foco do ano.A luta anti racista não podem se reduzir a festas e micaretas militantes. É preciso mais! É preciso ousar! É preciso compreender que os conflitos étnicos nos EUA tem tudo haver conosco e que somos irmãos independente de que parte do mundo estamos.

Enquanto um de nós for prisioneiro, nenhum de nós será livre!

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