Feminejo, o outro lado da história

Quando o assunto é música sertaneja estávamos acostumados, nós de Goiás mais que a média nacional, a ouvir uma versão da história, a do homem, que era um bom amante e bom marido, ou que havia sido traído, largado ou injustamente trocado, que agora iria pegar quem quiser, beber, sair.

Não que a participação de mulheres no sertanejo seja recente, diversas artistas ganharam expressão no meio ao longo dos seus mais de 70 anos de existência e transformação, passando pela Música Caipira de Inezita Barroso, o  Sertanejo Romântico de Sula Miranda, o Sertanejo Universitário de  Maria Cecília & Rodolfo e mais recentemente o dito Feminejo que traz a possibilidade estética das mulheres cantarem suas aventuras e desventuras de forma autobiográfica, em primeira pessoa.

Com a ascensão do Feminejo temos a outra versão da história, a da mulher, que foi traída, ou traí, e da amante, ou seja, dos outros 2/3 da família tradicional sertaneja. Marília Mendonça, Simone e Silmara, Maiara e Maraisa, Naiara Azevedo e outras, hoje dão voz a quem antes era inspiração e agora é protagonista da ação, também está afim de sofrer, chorar, beber, pegar geral e se divertir.

O Feminejo é não só um retrato da nossa sociedade: mulheres com cada vez mais voz e sujeitas de suas ações, relacionamentos e destinos, como também um produto mercadológico incrível, que leva em consideração essa mudança social e surfa muito bem nessa onda renovando o estilo e atende ao recorte do público do gênero, que é potencialmente maior e ainda menos explorado pela indústria cultural.

 

 

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About Deryk santana 70 Articles
Gestor Cultural, Educador, Turismólogo e criador do Goianidades.

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