Goiânia Ouro recebe mostra de cinema sobre a diversidade sexual

Neste domingo, 10, o Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro recebe a Mostra Itinerante For Rainbow – Festival de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual, que é organizado pelo  CENAPOP – Centro Popular de Cultura e Cocidadania, do Ceará, em parceria com o Projeto Amarras Femininas, da capital. O festival está em sua décima primeira edição, e é a primeira vez que rompe as divisas do Ceará para rodar o Brasil espalhando um discurso afirmativo da cultura LBGT e feminismo por meio do cinema.

A mostra vem à Goiânia em um momento bem adequado, ao lembrarmos que dezenas de casos de abusos sexuais e psicológicos vêm sendo revelados na cena alternativa da cidade envolvendo nomes bastante conhecidos para quem está inserido nela. Se os abusos cometidos devem ser rechaçados absolutamente, também é importante apoiar as vítimas pela coragem e combater o problema. E é sobre isso que os filmes que serão apresentados no evento tratam.

Para saber um pouco mais sobre a mostra, a criação do Projeto Amarras Femininas e sobre as causas abordadas em ambos, batemos um papo com uma das organizadoras do evento, Larissa Cantarino.

G: Primeiro, gostaria de saber sobre o seu Projeto Amarras Femininas. Como começou? E o que é?

Larissa: Bom, o Projeto Amarras Femininas nasceu em 2012. Ele é parte de uma performance que criei em 2011 durante a graduação em Artes Visuais. A performance e o projeto surgiram da minha necessidade em denunciar através da performance e fotografia todos os tipos de violências, que nós sofremos por sermos mulheres. No ano de 2011 eu fui vítima de um abuso sexual. Criei a performance para ser uma forma de me falar como me sentia em relação ao que passei. Em 2012, eu abri para que outras mulheres pudessem compartilhar suas experiências também. Esse projeto, consequentemente, foi minha monografia.

G: Na página do projeto tem um relato seu recente sobre o abuso que sofreu, no mesmo texto você cita sobre a onda de denúncias sobre estupros e outras formas de assédio que diversas garotas da cena alternativa trouxeram ao público. Ou seja, de alguma forma essa mostra veio em uma hora bem oportuna, não é? Não que se vá comemorar esses acontecimentos, mas as vítimas podem se sentir de alguma forma amparadas por outras pessoas quem sabe exatamente como elas estão se sentindo, correto?

Larissa: Eu acho muito importante as denúncias e o apoio que anda acontecendo entre mulheres que nem se conhecem. O movimento é importante pra encorajar e mostrar que infelizmente essa prática é comum. Porém, não é normal e não devemos aceitar. Gostaria que em 2011 tivesse essa rede, por outro lado, às vezes me incomoda. Se de alguma forma pra algumas pessoas isso seja só uma forma de fazer barulho, coisa de mídia, porquê a militância e a denúncia têm que ser praticadas constantemente, nas nossas relações subjetivas no nosso dia a dia. Às vezes, me incomoda saber que para pelo menos boa parte das pessoas isso seja um coisa de moda e não leve com o verdadeiro cuidado e seriedade que merece. É, gostaria que não houvesse tanta violência por outro lado é importante, porque muita gente quer falar e quer ser ouvida por quem realmente entende o que ela está passando, respeita e não diminui a dor dela.

G: O que você quer dizer é que: é estranho precisar ter um projeto como esse apesar de ser importante para a sociedade? Estranho, no sentido da sociedade ter colocado como algo “comum”, o que na verdade é um ato hediondo. Algo que não é normal.

Larissa: Isso! A normalidade em que a prática da violência ocorre e é imposta é absurda. E dar que sempre a culpa, o sentimento de culpa de todas as vítimas. É como se fôssemos ensinadas a encobrir a violência que sofremos. É doentio.

G: O que você espera da mostra? 

Larissa: Então, foi uma pré produção realizada às pressas. Inclusive, agradeço seu interesse em fazer a matéria porquê não tive tempo de ir atrás da divulgação. Em menos de duas semanas, por não ter feito uma divulgação maior e ser em um domingo, sabendo que aqui em Goiânia as pessoas não saem muito, eu não espero um público muito grande ou diversificado. Acredito que quem for em sua maioria serão pessoas que se sentem representadas pelo festival. Depois da apresentação dos curtas haverá um bate-papo sobre os temas dos filmes. Ah, essa mostra está sendo produzida por mim e outra colega se chama  Nataly Mendes.

G: Você pensa que seria interessante que homens, que são a maioria dos abusadores, fossem à mostra? Para compreenderem pelo menos o mínimo para nunca mais repetirem e não repassarem esse tipo de comportamento.

Larissa: Sim. Porém, não somente homens agem com essa violência. Sei de casos de relação extremamente abusivas entre gays e lésbicas. O machismo afeta todos em todas as relações. Mulheres violentam outras mulheres também. Essa mostra é bem diversificada, acho que toca em temas sobre homossexualidade, transgêneros, etc.

Filmes
On My Own – Animação – CE – direção de Yuri Yamamoto 3’30”
Entre Lugares: a Invisibilidade do Homem Trans – direção: Luiz Carlos Nascimento, 13′ – Recife, 2011.
Chanson D’ Amour – Direção: Renata Prado – Rio de Janeiro, 2014.
Receita para trazer seu amor de volta – Direção: Andrei Bessa, 5 min, Ceará, 2009.
E tu tens medo de mim? Direção: Renata Monte e Juliano Medeiros Ceará Documentário 38′ 43″.
Melhor Amigo – Direção: Allan Deberton, 18 min, Ceará, 2013.
De que lado me olhas – Direção: Carolina de Azevedo e Ele na Sassi, 15 minutos, Rio Grande do Sul, 2014.

INFORMAÇÕES
Mostra Itinerante For Rainbow – Festival de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual
Dia: 10 de dezembro (Hoje)
Horário: 19 horas
Local: Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro
Entrada franca

Vinícius Mesquita
About Vinícius Mesquita 18 Articles
Um ser errante. Formado em Jornalismo, fã de rock 'n' roll e viciado em futebol. A loucura é a única forma de permanecer-se são.

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