Goiânia recebe oficina de musicalização na capoeira com Mestre Negoativo

Ramon Lopes Gonçalves, mais conhecido como Mestre Negoativo, é desses caras necessários. Cria do Maria Goretti, comunidade da cidade de Belo Horizonte, líder da Banda Berimbrow vem à Goiânia com a Oficina de Musicalização na Capoeira balançando tudo com seu som e com sua fala poderosa.

O Goianidades não poderia deixar a oportunidade de bater um papo com o cara.

Goianidades: Salve Mestre! Pode falar um pouco da sua trajetória nas artes e na liderança comunitária?

Mestre Negoativo:  Faça um trabalho há mais de 30 anos como líder comunitário aqui no Maria Goretti.  Como brincadeiras e coisas de criança e a gente ficava sempre tentando ações coletivas, sempre Inspirado em algumas  idéias. Sempre fui uma figura assim que com preocupação de fazer algo para comunidade ver a comunidade transformar mesmo, evoluir. Uma pessoas em busca de ajudar a preservar o conhecimento, o saber dos mais antigos eu sempre fui uma pessoa muito próximo das pessoas mais velhas as mais sabida mais experientes. Já tive aqui dois projetos grandes e tive que parar.  Trabalho com essa comunidade desde o final dos anos 70 ensinando capoeira ensinando Batuque. No final dos anos 80 e nos anos 90 eu tinha um projeto muito forte aqui na comunidade. O Berimbrown surge desse projeto! No começo do século também eu montei um projeto aqui em parceria com a Escola Municipal, Quilombola (nome do projeto) o projeto acontece até hoje tem um aluno meu dando aula de capoeira lá, mas não no mesmo formato do projeto, mas foi muito importante para a comunidade e agora que eu estou retornando com um projeto social. Lançamos em outubro essa campanha de orçamento colaborativo para as pessoas ajudarem para construir aqui um espaço, um barracão para acolher a comunidade. Estou voltando com projeto em outro formato. Adquirir um pouco mais de experiência, meu filho está fazendo mestrado na UFMG e tá junto comigo e eu convoquei alguns jovens da comunidade, algumas meninas que formaram no ano passado para psicologia, sociologia, fisioterapia. E aí eu convidei a juventude para chegar junto para se responsabilizar também com espaço com a comunidade. Isso é missão tem que seguir em frente

GNDD: A Capoeira é ponto alto do seu trabalho. Como ela entrou na sua vida e como o senhor acredita que ela pode contribuir para uma sociedade melhor?

Mestre Negoativo: A capoeira é uma ferramenta fundamental na minha vida! Para te falar a verdade eu não cheguei até ela, ela chegou até mim! De repente passou um cara na rua tocando berimbau e foi pelo ouvido musical que eu fui capturado, que eu fui acessados pela ancestralidade. A capoeira tem um poder de transformação muito grande por isso que ela tá aí em vários países mundo afora possibilitando várias pessoas sobreviverem e viverem dessa cultura, dessa arte. A capoeira tem esse poder de construção mesmo, de romper barreiras e por mais que as pessoas vejam capoeira em um lugar marginalizado ela vem aí desconstruindo e construindo. A capoeira tem esse poder!

GNDD: O Berimbrown é um projeto musical ousado, arrojado e que mistura muitos ritmos. Fale um pouco sobre esse som lá do Maria Goretti.

Mestre Negoativo: A coisa de mistura de ritmo tal. O Berimbrown surge dessa brincadeira. Meados da década de 90 uma década muito violenta a década mais violenta do planeta. No Brasil estoura essa globalização ela vem com muita perversidade essa coisa das armas, dos tráficos na comunidade, chegada do crack, então pra gente foi uma época de muita violência onde morreram muitos jovens e o Berimbrown é a  mistura de tudo isso, de soltar a voz de falar primeiramente sobre os nossos ancestrais, dos  povos negros bantos de Minas Gerais e de toda a opressão que a gente sentia, passava, vivenciava aqui na comunidade do Maria Gorettti.

GNDD: Fale um pouco dessa oficina de Musicalização na Capoeira Que o Grupo de Capoeira Luanda com o Mestre Guerreiro trás, aberta pra toda comunidade.

Mestre Negoativo: É uma oficina que eu venho trazendo por meio da ritualística de acessar a ancestralidade. Venho viajando pelo Brasil, ano passado esse ano também. Mês que vem tô indo para uma turnê na Ásia vou ficar lá 5 semanas atuando com essa mesma proposta ,a gente está cada vez mais feliz! Num mundo da imagem da estética muito forte, da fotografia, do vídeo e ouvindo quase sempre música ruim, Né? Música de batida forte quase sem harmonia, quase sem melodia, mais é batida. Os tons ficaram muito mais altos e quanto mais alto fica, mais estéreo fica, mais histérico, fica mais agressivo, fica menos paciente. A proposta de musicalização é trabalhar com os berimbaus mais graves, na região mais grave, uma oitava abaixo, duas oitavas abaixo como era dos antigos na década de 60, 50, 40 e 30. Na década de 80 que afinação sobe, não só na música também no geral é o mundo globalizado. As coisas vão subindo acompanhando o mundo veloz, o mundo rápido, o mundo do imediatismo e as pessoas não se tocam nisso, tanto é que as pessoas escutam uma música e não conseguem ouvir um contrabaixo, os elementos graves da música só dá para ouvir os médio saturados e os agudos. Você ter uma relação com o grave é uma outra entrega é um outro ouvido os Smartphones são muitos culpados disso ajudou muito a  saturar as  pessoas. É uma tecnologia fantástica, mas proporcionam um áudio extremamente saturado, horrível e as pessoas assistem coisas, ficam ali na imagem com  áudios saturados ,então os ouvidos vão ficando viciado com nível baixo de áudio aí fica achando que tá bom e na verdade tá tudo ruim. As pessoas compram Smartphones de 5.000 reais, mas não são capazes de comprar um fone bom de 500 para ter um retorno de uma música onde você pode ouvir todas as nuances as freqüências graves Sub Grave, médio grave. Não, fica ouvindo com fone ruim saturando ouvido.  Isso para mim é muito sistêmico é o reflexo da perversa globalização!

Oficina de musicalização na capoeira
Onde: Associação Capoeira Luanda Jardim América
Data: 17 de março
Hora: a partir da 9h
Valor: R$ 60,00

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