Goianidades: o que faz de Goiás, Goiás?

Goiás. Índios. Bandeirantes. Anhanguera. Coronelismo. Hugo de Carvalho Ramos. Veiga Valle. Octo Marques. Siron Franco. Belkiss Spenzièri. Gilberto Mendonça Teles. Odair José. Lindomar Castilho. Amado Batista. Leandro e Leonardo. Violins. Hang the Superstar. Sertanejo. Rock. Chorinho. Arroz com pequi. Empadão. Pamonha. Galinhada. Cerrado. Rio Araguaia. Lago de Serra da Mesa. Rio das Almas. Águas termais. Chapada dos Veadeiros. Terra Ronca. Parque das Emas. Agricultura. Roça. Metrópole. Pé rachado.

Belezas naturais, belezas sem igual. Estamos na maior biodiversidade do planeta. Tamanduá, preá, cutia, arara, maritaca, anta e veado. Nossas nascentes alimentam rios que percorrem outros estados. Goiás é Terra de coronelismo e perseguição política, mas é também lugar de mulheres escritoras e guerreiras como Marieta de Sousa e Santa Dica. Um local cercado de mistérios, causos, prosas e poesias. Salve Bernardo Elis! Salve as Cavalhadas, pastorinhas, congadas e fogaréu. Cidades históricas repletas de cachoeiras. Ahhh, e não esquecer de rodar a folia para agradecer ao Divino Espírito Santo!! Terra abençoada. Cenário para filmes e novelas. Povo acolhedor que absorveu integrantes do Movimento Hippie que vieram do Rio de Janeiro, São Paulo e até de outros países! Minha Piri! Amada Pirenópolis! Acaba não mundão, porque Goiás é bão demais da conta.

Pequi, ouro goiano. Guariroba, empadão. Alfenins, tradição, paixão. Cora, mulher das letras e dos doces. Goiandira do Couto e a grandiosidade de sua arte. Tear, artesanato, resistência feminina em terra de coronéis. Mulheres Coralinas que eternizam a arte e a cultura em Goiás. Maria Grampinho e outras Marias, histórias de resistência. Benzedeiras, curandeiras, cura. Igrejas, art Déco, histórias. Cidade de Goiás, entre estradas de pedras seculares e rios que atravessam e constituem sua história. Um encontro de vidas, fé, simbologias e resistências.

60,22% preto! Bem acima da média nacional. Congada, Folia de Reis… Ouro aluvião! Na estrutura? Racista! Escravidão legal até o século XIX. Escravidão real no século XXI. 3° no ranking. Pretos ganhando 30% a menos que brancos, 70% dos desempregados, 74,2 % dos encarcerados. Na capital 91% das pessoas em situação de rua. No entorno, terreiros incendiados. No estado polícia violenta, políticos decanos, shoppings sobre nascentes, soja por todo lado, privatização de serviços básicos, 3°mais perigoso pra mulheres, jovens negros com 5 vezes mais chances de morrer… Ufa!!! Somos bons em resistir Cavalcante, Uruaçu, Niquelândia, Itumbiara… quilombolas por excelência!

É melhor tomar um banho de cachoeira em Alto Paraíso ou nas águas quentes de Caldas, Rio Quente ou Lagoa Santa!

É pavê ou “pá cumê”? Na fazenda a viola chora na hora do almoço e só se vê as serras andantes postas nos pratos. Serras Douradas de comida, mais grossas do que aquela que esmagou o Bernado Sayão. Mas é que quando abre a panela quente de arroz com pequi, não tem lago em Caldas Novas mais quentinho que ela. Aí não tem tocantinense que não se renda. Mas não importa, não, a gente dá um quilo é pensando na vida como era pra Leo Lynce, só mato e calmaria. Se bem que num tá muito diferente hoje não. Só mudou a poesia, que não é mais a mesma, é renovada e improvisada. Igual a vida de goiano. De rocha.

Ah, Goiás! Rosarita nas letras, Poteiro no barro, Tapuios na dança pintando a face. Quilombolas, resistência, Vão do Moleque, esperança que renasce. Goiás da luta, reforma agrária, Dom Tomás na caminhada! Goiás da Festa do Divino, das promessas rumo a Trindade, da bela Serra Dourada. Das visitas de Saint-Hilaire, da memória de Paulo Bertran e Luis Palacin, Goiás velho, Goiás jovem. Goianidade para você e para mim!

Texto escrito coletivamente pelos colaboradores do Goianidades: Vinícius Mesquita, Ayme Virgínia, Tadeu Costa, André Luiz Barbosa, Marcos Carvalho, Watusi Virginia.

 

Vinícius Mesquita
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Um ser errante. Formado em Jornalismo, fã de rock 'n' roll e viciado em futebol. A loucura é a única forma de permanecer-se são.

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