#ELENÃO: maior ato feminista da história de Goiás

Goiânia e seus 35° de temperatura, mas o calor não intimidou cerca de 20 mil pessoas pedindo #EleNão no centro da capital na manhã do último sábado, 29 de setembro. A manifestação “Mulheres Contra Bolsonaro”, ato que mobilizou o país e o mundo contra o presidenciável Jair Bolsonaro, foi histórico em Goiás, considerado o maior ato feminista da história no Estado.

#EleNão porque ele representa ameaça para a democracia. #EleNão porque representa o racismo e o machismo. #EleNão porque representa o retrocesso dos direitos trabalhistas. #EleNão porque ele representa toda forma de opressão e exploração.

“Meu marido nem sabe que eu estou aqui”, disse pra mim uma moça durante a passeata, após comentar que o seu cônjuge vota no Bolsonaro. Fiquei com receio de perguntar o que aconteceria com ela se ele soubesse, e a resposta ser aquilo que engrossa as estatísticas, fruto do machismo.  Aliás este é um dos principais motivos que levaram milhares de mulheres às ruas neste sábado.

A concentração começou na praça cívica, descendo a Av. Goiás até o cruzamento da Av. Anhanguera. Lá, manifestante fizeram um minuto de silêncio em torno do monumento O Bandeirante em memória aos povos indígenas saqueados pelos desbravadores que aqui chegaram. O trânsito ficou parado por aproximadamente 15 min. Da Goiás, seguiram a Av. Anhanguera até a 5ª Avenida, no setor Universitário. Finalizaram o ato na Praça Universitária. O percurso da manifestação foi intencional: atingir o comércio do centro da capital e, consequentemente, os trabalhadores.

Para os 46% da população que rejeita o candidato, Bolsonaro não é a solução. Ele apresenta uma ideia de segurança, mas não é dessa forma que se pensa segurança pública, propondo que a população se arme, com discurso de ódio. Na verdade, ele não tem propostas consistentes que dizem respeito à nossa segurança.

Mariana Lopes, representante da FASUBRA (Federação de Técnicos e Técnicas das universidades brasileiras), é de Goiânia e trabalha na Universidade Federal de Goiás. Esteve no ato mais importante para o movimento feminista do Estado e lembrou os retrocessos que este candidato representa, sobretudo para a classe trabalhadora.

Foto: Mari Magalhães

“Foi o maior ato feminista lutando contra o fascismo no Brasil. A gente entende que, se Bolsonaro ganha, vai ter um retrocesso imenso. A gente vai ter a legitimação do fascismo nas ruas muito mais do que já acontece, num país que mais mata LGBTs no mundo. Então estamos aqui pra lutar contra a homofobia, contra o fascismo, contra o racismo e também contra a retirada de nossos direitos. Tendo em vista que Bolsonaro sempre votou contra os trabalhadores e seu vice-presidente ( General Hamilton Mourão) já deu declarações inclusive contra o 13º para trabalhadores”, lembrou Mariana.

Bolsonaro também não tem propostas que dialogam com a Educação, uma das pautas mais urgentes do país. Emanuele Jacob, professora da rede estadual de ensino em Goiás, representando todas as educadoras defendeu o direito de discutir sexualidade nas escolas, prática já criticada pelo presidenciável.

“Nosso grito é de que precisa manter sim o debate de gênero nas escolas, sobre sexualidade, étnico racial, porque as crianças precisam ser educadas desde cedo, desde pequena a entender e a respeitar as diferenças”, defende a professora.

Lídia, uma das organizadoras do ato “Mulheres Contra Bolsonaro” através da rede feminista Goiás, comemora o sucesso da manifestação, não somente em Goiânia, mas em várias capitais do país. “Foi maior do que imaginávamos, foi absolutamente pacífico e continuaremos esta campanha #EleNão até dia 7 nas urnas”.

Embora o ato tenha sido liderado por mulheres, muito homens participaram da passeata contra o presidenciável. Entre eles Lenine, urbanista e professor aposentado. Lenine trabalhou como assessor de prefeituras e relembra que há exatos 50 anos atrás ele já estava nas ruas lutando por direitos como este.

“Estamos em setembro e há 50 anos, eu participei de manifestações muito parecidas com essa, só que o objetivo era combater a ditadura militar. Hoje eu participo dessa manifestação contra a volta de outra ditadura militar, que se anuncia através da emergência da extrema direita homofóbica, racista e burra que está nascendo e se fortalecendo no Brasil”, disse o aposentado goiano.

Lenine, como tantos outros brasileiros, foram às ruas neste dia 29 de setembro contra todo tipo de autoritarismo, lutando pela liberdade e pela igualdade entre as pessoas, gênero, sem discriminação de nenhuma ordem.  Por um Estado democrático de direito #EleNão, #EleNunca #EleJamais.

Confira imagens do ato “Mulheres Contra Bolsonaro Goiás”:

Foto: André Barbosa
Foto: André Barbosa
Foto: André Barbosa
Foto: André Barbosa
Foto: André Barbosa
Foto: André Barbosa
Foto: André Barbosa
Foto: André Barbosa
Foto: André Barbosa
Foto: André Barbosa
Foto: André Barbosa
Foto: André Barbosa
Foto: Mari Magalhães
Foto: Mari Magalhães
Foto: Mari Magalhães
Foto: Mari Magalhães
Foto: Mari Magalhães
Foto: Mari Magalhães
Foto: Mari Magalhães
Foto: Mari Magalhães
Foto: Mari Magalhães
Foto: Mari Magalhães
Foto: Mari Magalhães

 

 

Mariana Magalhaes
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Jornalista por formação, especialista em Mídia, Informação e Cultura.

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