Marielle Franco, francamente.

Uma mulher negra foi morta. E até hoje nada se sabe.

Hoje completamos 4 meses desde que Marielle foi assassinada no Rio de Janeiro e até agora seus executores tem tido sucesso na sua missão. Calaram uma voz que falava muito alto lá no morro. Tão alto que não se contentava em gritar de lá que precisava descer até a Câmara pra alguém ouvir o burburinho da favela que virava um rugido na garganta de Marielle.

Um leão incomoda muito gente, mas um leão motivado em defender seu bando incomoda muito mais. Marielle mordia, unhava e lutava com todas as forças para que a mulher, pobre, negra e suburbana tivesse vez e voz. Não porque a mulher, pobre, negra e suburbana deve ter destaque numa “era de mimimi”, mas pelo simples fato de poder exercer seu direito natural de ir e vir, sem pedras, balas e obstáculos no caminho.

Marielle se tem feito presente por todo país, menos nas investigações policiais, que hoje flertam com algum tipo de incompetência orquestrada em ser incompetente.

Mas o que causa espécie em quem acompanha o desenrolar da trama e a seletividade com que a justiça escolhe operar com seleridade. Uma vereadora assassinada, tendo como principal hipótese queima de arquivo, num cenário onde constantemente a polícia, a justiça e todas as instituições públicas são questionadas sobre sua seriedade com o fazer público, nada disso tem sido suficiente para que providencie a resolução do caso.

Talvez Marielle precisasse ser um ministro do STF para ter sua morte solucionada, ou talvez pré candidato à presidência da república. Apenas 46 mil pessoas apertando verde para a carioca atuar em seus nomes não foram suficiente. Fica pra próxima.

 

Andre Barbosa

Andre Barbosa
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Jornalista, músico e palpiteiro político-econômico. Estudante-pesquisador de direitos humanos, gênero e marcadores sociais.

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