O QUE É O FASCISMO? (Conceito) – por Thiago Damasceno

O fascismo foi a principal inovação política do século XX,

e a fonte de grande parte de suas dores”.

(Robert Paxton, cientista politico e historiador norte-americano).

 

“Fascismo”… Como poderiam perguntar: “É de comer ou de passar no cabelo?”. Independente das respostas, que podem ser muitas, é fato que o termo “fascismo” vem sendo muito falado quando se discute ou se comenta sobre política, movimentos sociais e figuras públicas, principalmente sobre um perigoso candidato à presidência da República. Às vezes o termo é usado de forma adequada, às vezes não. Inicio aqui alguns textos explicando o fascismo, bem como sua origem e seus usos no campo do debate público. Já antecipo que apresentarei determinados autores que considero coerentes para a discussão e minhas próprias leituras de mundo. Claro que o que apresentarei não esgota o debate, mas considero que será um primeiro passo para isso. Sendo assim, continuemos.

Primeira definição: o fascismo é uma ideologia política. Logo, já podemos entendê-lo como um conjunto de ideias ou sistema de ideias sobre os campos político e social e áreas afins. As ideias desse conjunto ou sistema pregam determinados valores e noções. Adiante, veremos quais. Contudo, o fascismo, para a professora Madeleine Albright (2018), é mais do que uma ideologia política: também é uma forma ou método de se tomar e controlar o poder político e social. Essa é uma segunda definição para o termo. Desse modo, pode-se deduzir que o fascismo pode ser de direita ou de esquerda, pois sendo o fascismo uma forma para se alcançar o poder, e este sendo pretendido por grupos de várias vertentes, o termo não pode ser resumido apenas aos movimentos de direita ou somente aos movimentos de esquerda.

O fascismo tem liderança. Sendo mais preciso, o fascismo tem um líder carismático, ou seja, um líder que estabelece um elo emocional com determinada(s) massa(s). Sendo a figura central do movimento, o líder fascista faz emergir da(s) massa(s) sentimentos profundos e, geralmente, repulsivos. Quem apoia ou segue um líder fascista está abalado por três coisas (geralmente, todas ao mesmo tempo): por uma perda (seja de uma guerra ou de um emprego, por exemplo), por uma lembrança de humilhação ou pela sensação de que seu país está em maus lençóis, indo de mal a pior. Assim, vê-se que o fascismo nasce dentro de uma sociedade e se espalha por ela, sendo diferente de uma monarquia ou ditadura que, grosso modo, vêm de cima para baixo.

O líder fascista é um explorador de sentimentos e vontades, alimentando em seus apoiadores ou seguidores o desejo humano universal de fazer parte de uma busca significativa. Essa busca pode ser a salvação do país, por exemplo. Os líderes fascistas mais talentosos fazem espetáculos: encontros de massa(s) com solenes músicas orquestrais, expressam-se por meio de uma precisa e enérgica linguagem corporal e por uma retórica incentivadora e incendiária que arranca aplausos e saudações entusiasmadas de sua(s) plateia(s), causando uma euforia coletiva. Os seguidores dos líderes fascistas têm a sensação de fazerem parte de um clube exclusivo no qual estão de fora os(as) Outros(as), aqueles(las) que são ridicularizados(as) pelos adeptos do fascismo. Esse fervor fascista é alimentado com agressividade, militarização e, dependendo do contexto geopolítico, com expansionismo (seja territorial, político, propagandístico, etc).

O fascismo também tem uma terceira definição. Além de ser uma ideologia política e uma forma de se chegar ao poder e se manter nele, é também uma forma extrema de regime autoritário. Os fascistas seguem exatamente o que seus líderes dizem ou ordenam. Não há espaço para críticas, muito menos para autocríticas.

A partir do exposto até agora, elenco mais algumas características e aspectos do fascismo que ajudarão ainda mais na compreensão do termo/fenômeno político e social.

Aspectos e características gerais do fascismo:

 

1 – nacionalismo extremista;

2 – autoritarismo político e social;

3 – sentimento antidemocrático;

4 – reversão do contrato social: em vez de os cidadãos darem poder ao Estado em troca da proteção de seus direitos, no fascismo, o poder emana do líder e as pessoas não têm direitos. A missão das pessoas é servir e o trabalho dos governantes/líderes fascistas é ditar as regras;

5 – Os fascistas se identificam profundamente com certo(s) grupo(s) ou nação, rejeitando totalmente os direitos do(s) Outro(s);

6 – Os fascistas formam um grupo social específico, ou grupos, que geralmente passam por dificuldades econômicas e sentem que têm direito a certas compensações que lhes foram e são negadas;

7 – O fascismo usa os meios necessários para atingir suas metas, inclusive a violência;

8 – O fascismo apresenta a seguinte mentalidade ou modo de pensar: “Nós contra eles”;

9 – O fascismo floresce e se desenvolve com considerável apoio popular de pessoas de diversas classes sociais, desde as mais ricas às mais pobres.

 

O fascismo contemporâneo surgiu no início do século XX e sua origem está diretamente relacionada à Itália no contexto posterior à Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e anterior à Segunda Guerra Mundial (1939-1945), tendo como figura de proa Benito Mussolini (1883-1945). Mas isso é assunto para o próximo texto. Aguardemos.

 

 

Referências e Dicas para Leitura

 

ALBRIGHT, Madeleine. Fascismo: um alerta. São Paulo: Planeta, 2018.

 

KONDER, Leandro. Introdução ao fascismo. Rio de Janeiro: Edições do Graal, 1977.

 

Por Thiago Damasceno

E-mail: thiagodamascenohistoria@gmail.com

YouTube/Facebook: Orientalismo na Rede

 

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