“O rock é negro” – representatividade foi o foco de grandes artistas no Bananada20

A vigésima edição do Festival Bananada deste ano teve vários momentos emblemáticos. A começar pela estréia do shopping Passeio das Águas como o principal local das apresentações desta edição, o que se mostrou uma opção ousada mas que teve um ótimo retorno.

Gilberto Gil na Refavela40 e Emicida foram sem dúvidas um dos melhores acertos do festival. Ambos de carreira de longa data, trouxeram para o segundo dia do festival, discussões sobre o representatividade e a defesa do povo negro. O baiano Gilberto acompanhado dos filhos e amigos, compuseram uma atmosfera pra lá de brasileira em cima do palco. Um pouco mais tarde naquela sexta-feira, Emicida fez o shopping balançar. De letras marcantes, o rapper, nos intervalos de uma música para outra abalou quem o assistiu falando sobre a realidade dos negros do Brasil, com direito até de repassar no telão a atuação de Lázaro Ramos em Ó Pai, Ó, na cena onde o ator esbraveja a igualdade dos negros perante os brancos.

Nas performances de Larissa Luz, Àttooxxoa e Baiana System, os artistas trouxeram também um discurso de defesa do povo negro bastante forte. Larissa Luz chegou a esbravejar no palco “o rock é negro!”, e relembrou a história do origem do rock e dos movimentos negros ao redor do mundo.

 

O sexto dia foi um dos mais agitados com a emblemática presença de Pabllo Vittar. A drag trouxe para o palco a angolana Titica e no palco firmaram o lançamento de um CD ainda neste ano. Pabllo ainda se emocionou ao cantar Indestrutível, e chorou ao relembrar a morte de um amigo no Rio de Janeiro por homofobia.

Um pouco antes da apresentação de Pabllo, o palco Red Bull recebeu a banda Carne Doce, que tem como vocalista a goiana Salma Jô que esbanjou performance e contorções no palco.

 

Complicações

Na quinta-feira (10), dia de estreia no espaço do shopping, foi um pouco conturbado. Filas enormes para o caixa, demora na identificação na portaria e desorganização para acesso ao banheiro. Várias críticas surgiram nas redes sociais de pessoas que afirmam ter ficado quase uma hora na fila para ser atendido no caixa. As apresentações nos quatro palcos também tiveram pouco impacto, no que pareceu uma estratégia da organização para reter o público para as principais atrações no dois dias do final de semana.

Mas isso não abaixou o nível. Excelentes artistas se apresentaram, um bom exemplo foi a jovem Nina Fernandes que trouxe muita qualidade em sua performance e prendeu quem a assistia. Figuras carimbadas de outros festivais também mostraram excelência com os amantes do rock, como Overfuzz e Dead Fish.

Apenas no sábado (12) a organização do evento conseguiu acertar a mão na otimização do tempo nas filas. Dispuseram mais funcionários para o atendimento e organizaram melhor o acesso aos caixas. Uma resposta um pouco demorada, mas que chegou e, certamente serviu de aprendizado para as próximas edições.

E o rock?

O festival Bananada teve um começo singelo há 20 anos atrás e se lançava desde então como um festival de rock. Ao passar dos anos, certamente a necessidade de se manter levou a organização do evento a flertar com artistas que definitivamente não se encaixam no rock. Mas ainda assim é possível dizer: o bananada é um festival de rock.

O Bananada já é um evento da agenda nacional e que volta muitos olhares para ele, o que ajuda na promoção de bandas menores que muitas vezes tem o seu talento limitado aos shows regionais. Além de ajudar a impulsionar bandas que já mostram uma boa trajetória em ascensão como Carne Doce, Boogarins, Frieza, Menores Atos e outros. Além de um trampolim também cria um espaço democrático e amplia os horizontes de quem produz e recria a cena cultural do rock goiano.

 

Texto e fotos: André Barbosa

Andre Barbosa
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Jornalista, músico e palpiteiro político-econômico. Estudante-pesquisador de direitos humanos, gênero e marcadores sociais.

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